terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Vayikrá - Ele Chama - Um livro bíblico. Autor: Jorge Eduardo Fontes Garcia

“ Honrarei aqueles que me honram, mas aqueles que me desprezam serão tratados com desprezo” 
Palavra do Senhor em I Samuel 2, versículo 30.

Estudo realizado nos dias finais de janeiro a 2 de fevereiro de 2018.

Levi: o terceiro filho de Jacó e Lia, e o fundador da tribo dos levitas.
Segundo alguns LEVI era um termo usado para sacerdote.
O profeta Moisés e seu irmão o sacerdote Aarão, foram ambos levitas.
Assim, “ Arão como sumo-sacerdote, tinha a permissão de realizar sacrifícios e adentrar o tabernáculo, e assim estar na presença à Arca da Aliança”, benção dada a sua descendência.
O Profeta Eli, Sumo Sacerdote e Juiz de Israel, era da família de Itamar, da tribo de Levi.
Os filhos do Profeta Eli – Hofni e Finéias   - colaboravam com o pai no sacerdócio, entretanto “ não temiam a Deus e nem respeitavam aos homens, tendo -se tornado culpados de imoralidade e sacrilégio – I Samuel de 12 a 23”, e assim “ ao transportarem a Arca da Aliança para o local onde estava o Exército de Israel foram mortos e a Arca levada pelos filisteus”, além de serem culpados da morte do pai que caiu da cadeira e quebrou o pescoço ao saber das funestas notícias – I Samuel 18.
E o sacerdócio passou para Samuel – ‘seu nome é El’-  que foi Profeta, Sacerdote, e o último dos Juízes sobre Israel, já que por ordem do Senhor ungiu a Saul e a Davi como Reis de Israel não era levita.
Chamo atenção que Samuel era filho de Elkanah da tribo de Efraim como está bem esclarecido em sua genealogia em I de Samuel 1, versículo 1, contudo em I Crônicas 6, versículo 27 se estabelece uma ascendência da Tribo de Levi por Caote, filho de Levi.  
O que importa aqui é que Samuel prestava seu serviço ao Senhor de maneira correta já que seguia as normas estabelecidas por Deus segundo o Vayikrá.
E o Vayikrá - a primeira palavra do livro-, terceiro Livro ou parte da Torá, e nele que está contido o Código Sacerdotal.
Este era um código de conduta para a Tribo de Levi, já que eles foram escolhidos para ministrar o Culto no Tabernáculo, para entrarem na presença da Arca da Aliança.
A Septuaginta é “ a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego koiné”, realizada em etapas, entre o século III a.C. e o século I a.C., em Alexandria”, e
72 - Setenta e Dois - Rabinos trabalharam nessa tradução.
Ao ser Traduzida do grego koiné para o Latim, língua oficial da Igreja Católica Apostólica Romana, o Vayikrá recebeu o Título de Liber Leviticus, do grego (το) Λευιτικόν.
O Liber Leviticus na nossa Tradução passou a ser o Levítico, que assim começa:
Vocavit autem Moysen et locu tus est ei Dominus de tabernacu lo conventus dicens: ...
T.L.: E o Senhor chamou Moisés, e falou-lhe para fora da tenda da congregação, dizendo:

Muito bem.

Davi, que era da tribo de Judá, não era um levita, mas como era um “ um homem segundo o coração de Deus – I Samuel 12, versículo 14”, exerceu o sacerdócio no Israel unificado.  
E Davi organizou as funções dos levitas como está descrito em I Crônicas 23, versículos de 1 até 9.
As funções dos Levitas passaram a ser muito mais a de “ cuidar do Templo”, tanto que dos 38 mil deles o expressivo número de 24 mil foram separados para tal.
6 mil foram separados para oficias e juízes.
4 mil para guardas das portas.
4 mil para trabalharem no ministério de Louvor a Deus.
Mas, como não podia deixar de acontecer a “ influência dos levitas foi reduzida através da concentração de poder nas mãos dos Reis de Judá”.
Os judeus, posteriormente, usariam esta perda de influência como justificativa para ordenar sacerdotes em meio ao povo, de elevar ao sacerdócio aqueles que não eram descendentes da Tribo de Levi, membros oriundos de qualquer tribo,
e como consequência o sentimento que fiou foi de que “ os levitas, assim como as leis mosaicas que defendiam, tivessem perdido muito de sua influência sobre o povo e a nobreza”.
Obviamente muitas das Ordenanças de Deus contidas no Vayikrá foram postas de lado.
E veio o Cativeiro Babilónico, também chamado de Exilio da Babilônia, ou seja, “ a deportação em massa dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilónia ordenada e realizada por Nabucodonosor II”.
“ Depois de um demorado cerco Nabucodonosor II veio a Jerusalém, e “ então Joaquim, Rei de Judá com sua mãe, seus príncipes, seus conselheiros, seus oficiais, e nobres, se renderam ao Rei da Babilônia”. 
“ Nabucodonosor II levou todos os tesouros do Templo de Jerusalém e do Real Tesouro, “ e partiu todos os vasos de ouro, que fizera Salomão, rei de Israel, no templo do Senhor, como o Senhor tinha falado”.
Ordenou a prisão e a remoção para a Babilônia do Rei Joaquim e de suas esposas, bem como de sua mãe Neusta, da nobreza, dos oficiais militares, os poderosos da terra, mas, também, de 7000 homens valentes, de 1000 ferreiros e artífices, e “ ninguém ficou senão o povo pobre da terra”. 2 Reis 24:12-17
Nabucodonosor elevou a Matanias, tio de Joaquim, a condição de Rei Vassalo com o nome de Zedequias, e ele foi o último Rei de Judá.
E foi assim que teve início a esse período histórico denominado de Cativeiro Babilónico, também chamado de Exilio da Babilônia”.
Por esse tempo profetizava na Terra Santa Jeremias, conhecido por sua integridade e discursos duros contra o pecado, mas que não era um levita, e sim
filho de Hilquias (ou Helcias), da Tribo de Benjamim.
Jeremias era um homem temente a D-us, e pregou para que o povo “ retornasse à genuína aliança com Deus, colocando em primeiro plano os valores espirituais, destacando o relacionamento íntimo que a alma deve ter com Deus”.
A vida de sofrimentos de Jeremias a serviço do Senhor faz com que ele seja o arquétipo do Servo de Deus.
Zedequias, o último Rei de Judá, além de perseverar nas abominações de seus antecessores aos Olhos do Deus Eterno, se rebelou contra o Rei da Babilônia, com isso, “ Nabucodonosor marchou contra Jerusalém com todo o seu exército, e depois de um grande tempo o muro da cidade foi rompido”.
Zedequias, os seus, mais a oficialidade “ fugiram na direção da Arabá, pela porta do Jardim do Rei, sendo o Soberano “ alcançado nas planícies de Jericó, onde todos os seus soldados o abandonaram”.
Zedequias “ foi levado ao Rei da Babilônia, em Ribla, onde pronunciaram a sentença contra ele. Executaram os filhos de Zedequias na sua frente, furaram os seus olhos, prenderam-no com algemas de bronze e o levaram para a Babilônia”. 2 Reis 25, versículos de 1 até 7.
E “... Nebuzaradã, comandante da guarda imperial, conselheiro do rei da Babilônia, foi a Jerusalém. Incendiou o Templo do Senhor, o Palácio Real, todas as casas de Jerusalém e todos os edifícios importantes. Todo o exército babilônio que acom­panhava Nebuzaradã derrubou os muros de Jerusalém. E ele levou para o exílio o povo que sobrou na cidade, os que passaram para o lado do rei da Babilônia e o restante da população. Mas o comandante deixou para trás alguns dos mais pobres do país, para trabalharem nas vinhas e nos campos”. 2 Reis 25, versículos de 8 até 12.
E os levitas nessa embrulhada toda?
Desapareceram.
Repito: Desaparecidos quando do Exilio da Babilônia, o que torna “ incerto se os levitas citados no período do Segundo Templo tivessem sido descendentes de Arão, como seria de se supor”, e assim eu creio que outros judeus foram nomeados entre o povo para exercerem funções sacerdotais.
Devemos nos lembrar que os Povo que retornou do Exilio Babilônico passou a ser chamados de genericamente de JUDEUS, e não mais classificados ou designados por suas Tribos.
O Segundo Templo erigido no Retorno do Cativeiro Babilônico, foi mandado remodelar por Herodes, o Grande, “ que não tinha legitimidade judaica, pois descendia de idumeus e sua mãe era descendente de árabes”, entrando para a História como Templo de Herodes.
Foi o Templo de Herodes que Jesus visitou, e onde “todas as ofertas descritas no curso da Bíblia Hebraica foram realizadas, até sua total destruição em 70 de nossa era pelas legiões romanas sob o comando do então general Titus, futuro Imperador Tito Flávio Vespasiano Caesar Augustus”.
Contudo Herodes havia mandado matar os descendentes Matatias ben Johanan, segundo consta um descendente de Fineias, filho de Eleazar, filho de Aarão, terceiro sumo sacerdote Israel, “um Cohen (sacerdote) do Templo de Jerusalém cujo papel na revolta contra os gregos sírios é relatado nos Livros dos Macabeus. Matatias foi protagonista na história do Hanukkah e é lembrado no Amidah durante os oito dias do festival. Era o pai de Judas Macabeu, líder dos Macabeus”.
Foi a Raiz dos Hasmoneus, a Dinastia governante durante o Reino Hasmoneu, de Israel (140 - 37 a.C.).
Simão Macabeu, segundo filho de Matatias, portanto segundo consta um descendente de Fineias, filho de Eleazar, filho de Aarão, terceiro sumo sacerdote Israel, foi considerado como governante e como Sumo Sacerdote, e sua família com direito a exercer as funções sacerdotais – antes só dos levitas é bom lembrar -  para sempre, até que surgisse um profeta legítimo por uma resolução, aprovada em 141 a.C., numa grande assembleia composta pelo Conselho de Anciãos, os sacerdotes, e outros membros laicos, comuns, do povo judeu." (1 Macabeus xiv. 41).
Com isso se estabeleceu um Casta Sacerdotal bem definida de onde poderiam sair os membros do “ Grande Sinédrio que incluía um chefe ou príncipe (Nasi), um sumo-sacerdote (Cohen Gadol), um Av Beit Din (o segundo membro em importância) e outros 69 integrantes que se sentavam em semicírculo. Antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C., o Grande Sinédrio reunia-se no Templo durante o dia, exceto antes dos festivais e do Sábado. O Sinédrio foi dissolvido em 358 d.C., e desde então diversas tentativas de restabelecimento foram tentadas”.
“ O Talmude identifica em cada cidade um Sinédrio Menor de 20 até 23 juízes, conforme é ordenado pela Lei Judaica”.
Voltemos a Herodes, o Grande.
Para obter legitimidade perante os judeus casou, em segundas núpcias, com Mariane, filha de Alexandre Macabeu, filho de Aristóbulo II e de Alexandra Macabeu, filha de Hircano II, assassinado por ele- Herodes, o Grande- que era mais indicado para ser rei dos judeus do que ele.
Ainda dentro de sua intenção de agradar aos judeus nomeou o irmão de Mariane de nome Aristóbulo o novo Sumo Sacerdote de Israel aos dezessete anos, mas com medo dele ser proclamado Rei e assim ocupar seu lugar, mandou assassina-lo, o que foi feito por seus homens, em sua presença, na piscina do Palacio Real de Jericó”.
Esse assassinado “ marcar o fim dos Hasmoneus como Sumo Sacerdotes, e não é dado os Direitos Hereditários ao Cargo a nenhuma nova família, nenhuma nova Dinastia”.
“ O Cargo de Sumo Sacerdote se tornou um instrumento de política interna, e que gradualmente foram relegados ao papel de Oficiais de Culto”.

Hananel ou Ananelus, por duas vezes, Joshua ben Fabus, Simon ben Boëthus ( que tinha uma filha de nome Mariane que, também, casou com Herodes, que  tiveram um filho, Herodes também chamado de Filipe, que se casou com Herodias, e foram os pais de Salomé, que dançou para Herodes Antipas e, como prêmio, pediu a cabeça de João Batista) , Mattatiah ben Théophile, Joshua ben Sie, Yoazar ben Boëthus, foram indicados por Herodes para o cargo de Sumo Sacerdote.
Entretanto, Herodes, o Grande, detinha em seu poder as vestes cerimônias dos Sumos Sacerdotes, com medo que o povo aclamasse alguns deles vestidos com elas, pois quando Aristóbulo III apareceu com elas foi “ recebido por manifestações de júbilo e afeto populares”.
Herodes Arquelau, o perverso, um filho e sucessor de Herodes, o Grande, nomeou três Sumos Sacerdotes, Eléazar ben Boëthus, Josué ben Sie e Yoazar ben Boëthus.
Banido Arquelau, assumiu o governo Publius Sulpicius Quirinius, Governador da Síria (a mais famosa a menção de Quirino ocorre no Evangelho de Lucas, que liga o nascimento de Jesus à época do censo de Quirino) que nomeou Annas ben Seth, citado na Bíblia na época de Cristo, e que “tinha grande influência na época do ministério de seu genro, José Caifás, conhecido simplesmente como Caifás, Sumo Sacerdote na época do julgamento de Jesus”.
Valerius Gratus, prefeito e procurador da província romana da Judéia durante o período do Imperador Tibério, e que foi sucedido por Pôncio Pilatos, nomeou cinco Sumos Sacerdotes, entre eles Caifás.
Depois de Caifas quinze judeus foram os nomeados Sumos Sacerdotes, até a Grande Revolta Judaica que destruiu com o Templo de Herodes em 70 da nossa era.
Relembro: Que “todas as ofertas descritas no curso da Bíblia Hebraica foram realizadas no Templo de Herodes, o qual Jesus visitou.
Eu não acredito que com tanta ‘impureza’ nas escolhas dos Sumos Sacerdotes o Vayikrá, o Código Sacerdotal nele estipulado, fosse seguido ao pé da letra. 
Os sacrifícios eram realizados, mas e daí?
E daí em relação a vida sacerdotal,
Eu não sei não.
O que sei é que enquanto a politicagem imperava para a escolha dos Sumos Sacerdotes, proliferavam as Sinagogas, e que nelas não havia “ ofertas sangrentas, os sacrifícios de animais, como as realizadas no Templo. ” 
Logo, posso afirmar que Vayikrá, o Código Sacerdotal nele estipulado, era seguido ao pé da letra.
Assim...
No século I de nossa Era, a Sinagoga, o local de culto da religião judaica, beit knésset que é traduzido para "casa de reunião", entre judeus portugueses a Esnoga, ganhou grande espaço, e nesse tempo só em Jerusalém haviam em torno de 400.
E nelas passaram a atuar os RABINOS;
Rabino ou rabi (do hebraico clássico: רִבִּי, ribbī; no hebraico moderno: רַבִּי, rabbī), dentro do judaísmo, significa " professor, mestre " ou literalmente "grande". A palavra "Rabbi" ("Meu Mestre") deriva da raiz hebraica Rav, que no hebraico bíblico significa "grande" ou "distinto" (em conhecimento). A palavra "Rav" que significa (professor, mestre) acrescido do item por significado meu professor, meu mestre.
No judaísmo Rabino é um título usado para distinguir aquele que ensina, aquele que tem a autoridade dos doutores da Torá ou aquele apontado pelos líderes religiosos da comunidade. Hoje os rabinos são os responsáveis pelo ensino e aplicação dos ensinamentos do judaísmo. Ao contrário de outras religiões, o rabino não é um sacerdote, não sendo estritamente necessário para a realização da maioria dos atos do ciclo de vida judaico, como o casamento, bar-mitzvá, sepultamentos e outros. Os únicos atos que exigem a participação de um rabino são o get (divórcio), conversões e litígios que exijam a decisão de um tribunal rabínico.
No entanto, em nossos dias, em grande parte pela laicização da comunidade judaica, os rabinos assumiram o papel de condutores da maior parte das cerimonias religiosas. Ainda assim, no judaísmo clássico pré-diáspora há a figura dos "representantes de Deus" - a classe sacerdotal - pessoas com um contato especial com a divindade.


Numa Sinagoga o responsável pelas orações é o Chazan, o cantor litúrgico treinado para guiar e recita-las, portanto, é ele que recita berachot, as bênçãos., que começa com as palavras "Bendito és Tu, Senhor, nosso Deus ...”, que é respondido pelos presentes com Amém.
E não me consta que há uma profunda analise genealógica desses senhores para eles poderem assumir suas funções que em tempos de Moises seriam dos levitas.
Certos documentos foram levados em meio a poeira do tempo, bien sûr.
Mais...
... Porque escrevi TUDO isso?
Porque considero que muitas do que consta no Livro dos Levíticos caiu em desuso, foi superado pelo TEMPO, como por exemplo onde está o Tabernáculo, a Tenda dos Encontros?
Onde está o Local Santo para o Holocausto, onde um animal era trazido para ser dado como oferta ao Senhor pelos judeus?
Onde estão os levitas designados para tal serviço santíssimo ao Senhor?
E “ as Regulamentações sobre as Ofertas de Cereal, de Comunhão, pelo Pecado, pela Culpa”, quem imagina um judeu puxando “ um animal macho e sem defeito” – ovelha para simplificar – por uma corda para ser sacrificada de maneira correta a D-us?
Onde?
Quem?
Creio pela minha FÉ, que nos, os cristãos, temos a Jesus como Único e Suficiente Salvador, pois Ele é o Cordeiro de Deus que com o Seu Sangue derramado na Cruz do Calvário levou sobre si os nossos pecados, o meu e o seu pecado meu caro leitor, não precisamos apresentar mais nenhum tipo de sacrifico, mas os judeus não O tem.
Com “ a queda dos levitas como classe sacerdotal tornou-se evidente com o surgimento de sinagogas, onde as leis e os costumes, bem como as normas de conduta de um sacerdote, eram ensinados a todos nas comunidades judaicas, e não mais exclusivas àqueles designados para tal pela Lei de Moisés”, assim, como afirmei acima, muitas das normas que constam do Vayikrá deixaram de ter sentido.
Hoje, qualquer judeu pode ser ordenado rabino após um período de estudos da lei judaica, não precisando provar que é descendente da Tribo de Levi”
MAIS, isso não quer dizer que outros regulamentos teológicos foram revogados, não mesmo.
Os sobre a moral e os bons costumes, bem como os sexuais – querendo uns, não querendo outros-  são validos, são pilares da Sociedade Judaico-Cristã, daí a sua importância, como de toda Palavra transcrita nas Sagradas Escrituras, pois são textos inspirados pelo próprio Deus, pelo D-us do Judeus.
O resto é baboseira, lembrado sempre que “ Se alguém lhe acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro” e   se “ alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro”.
Esclarecendo bem:  O livro acima citado é a Bíblia Sagrada, as Sagradas Escrituras.
E tenho dito para a Gloria de Deus.
Amem.

Jorge Eduardo Fontes Garcia










segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Uma Política Migratória e o Bolsa Família. Autor: Jorge Eduardo Fontes Garcia


O Sertanejo.

Vi na Globo a série 'Cem Anos da Seca do 15' - Cem anos depois, sertão do Ceará guarda histórias da seca de 1915 lembram 'O Quinze', livro sobre uma das maiores estiagens de autoria de Rachel de Queiroz”. ***
Fiquei pasmo.
Casas, terras, cidades, TUDO está à venda, por causa da seca e da pobreza que se abate sobre o sertão nordestino.
E desde dos tempos da Colonia – houve um “ período seco de 1721 até 1725- – passando pelo nascente Império - a grande estiagem de 1824-35 – o sertanejo sofre com a seca no Nordeste, e ninguém faz nada para ameniza-la.
O 6º Presidente da República, o Dr. Afonso Pena, em 21 de outubro de 1909, criou a Inspetoria de Obras Contra a Seca, depois Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, que em 1945 passou a ser o atual Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – Dnocs.
E nada fizeram para resolver realmente o problema da seca, pois era interessante consolidar “ Industria da Seca” em benéfico dos grandes políticos da região.
O Dnocs “ dispõe a sua legislação básica tem por finalidade executar políticas do Governo Federal, no que se refere a beneficiamento de áreas e obras de proteção contra as secas e inundações, irrigação, radicação da população em comunidades de irrigantes e subsidiariamente, outros assuntos que lhe seja cometidos pelo Governo Federal, nos campos do saneamento básico, assistência às populações atingidas por calamidades públicas e cooperação com os Municípios”, CONTUDO sempre foi um antro de corrução e safadeza.
Afirmo isso, e me benefício de um exemplo típico: O “deputado federal Inocêncio de Oliveira que utilizou dos serviços do Departamento Nacional de Obras contra a seca, no Nordeste, para perfurar poços no terreno de sua revendedora para lavar motocicletas em Serra Talhada”.
E mais: “ Em 2009, o DNOCS comemorou 100 anos de fundação, com um acervo “importantíssimo do semiárido nordestino”. Apesar de Inocêncio Oliveira ter defendido a manutenção deste arquivo, quase perdido durante o governo de FHC, ficou também registrado, na história do DNOCS, o mau uso da verba pública. O departamento, criado para acabar com a seca do Nordeste, foi utilizado pelo deputado Inocêncio Oliveira e outros políticos para benefício próprio”.
“ A reportagem “A Indústria da Miséria”, da revista Veja, de 21/04/1993, denunciou que a indústria da seca continuava a castigar milhares de pessoas em cidades sem serviço de saúde pública, como ainda sofrem hoje, quase 20 anos depois da reportagem moradores de Recife/PE. O fato era que o DNOCS, estava perfurando três poços nas terras do deputado Inocêncio Oliveira, quando era o presidente da Câmara Federal, em Brasília, pelo PFL-PE”.
Fonte: http://www.muco.com.br/ Muco – Museu da Corrupção.
Não só ao senhor Inocêncio de Oliveira, deputado federal de 1975 até 2015, a chamada “ Industria da Seca” interessava, mas, também, a muitos políticos desde os tempos da organização atual do DNOCS.
A reportagem da revista VEJA, de 21/04/1993, citada acima a chama de “A Indústria da miséria”, e é verdade.
A “A Indústria da Miséria” beneficiava sobretudo o Coronelismo, cuja cabeça é o “ Coronel”, que com essa estrutura manda e demanda no Poder Municipal, Estadual, e influencia o Pode Federal, no Brasil.
Assim o “ mandão” é o coronel, que faz e desfaz no território sob seu domínio impedindo assim o exercício livre da política pelos cidadãos daquela localidade.
O Coronelismo gera, também, o filhotismo, ou apadrinhamento, pois os que vivem naquele “ feudo’, não querem, nem podem perder a proteção e o bem querer do coronel.
A mão que alimenta a população das localidades onde impera o coronelismo é a do coronel e por via de consequência as de seus familiares.
Essa política vexatória, somada as grandes secas, criaram a o Fluxo das Migrações – no caso chamado de Êxodo Rural, que é o deslocamento da população rural para a cidade, bem como o Êxodo Urbano-urbana, que é a mudança de indivíduos de uma cidade para outra - em resumo os deslocamentos de cidadãos e suas famílias do Nordeste para outras regiões do Brasil principalmente para o chamado “Sul Maravilha”.
Essas Migrações foram realizadas de forma precária, na maioria das vezes feitas em caminhões, os chamados “pau de arara”, e no qual a família de Luis Inácio da Silva, o Lula, veio para “Sunpaulo”.

O que é Migração:
Migração é o deslocamento de indivíduos dentro de um espaço geográfico, de forma temporária ou permanente. Esses fluxos migratórios podem ser desencadeados por vários motivos: econômicos, culturais, religiosos, políticos e naturais (secas, terremotos, enchentes etc.). A migração econômica é a que exerce maior influência na população. É entendida como o deslocamento de contingentes humanos para áreas onde o sistema produtivo concentra uma maior ou uma melhor oportunidade de trabalho.
FONTE: http://www.significados.com.br/migracao/

Como se fazia, se faz, e fará, necessário uma Política Migratória para a Nação Brasileira, pois “ a migração econômica é a que exerce maior influência no nordestino”, eu em “Tempos de Constituinte, ou seja, antes da promulgação da apelidada Constituição Cidadã, em 5 de outubro de 1988, escrevi um artigo e enviei – pessoa a pessoa- ao jornalista Manuel Francisco do Nascimento Brito, diretor do Jornal do Brasil, que o publicou com destaque no Cartas.
Apostolava que na Constituição se tratasse do tema, para que assim a população brasileira fosse fixada no ou ao local de seu nascimento, e que com isso sessasse o GRANDE FLUXO MIGRATÓRIO.
Ninguém tratou do assunto, até porque não queriam, nem querem acabar com a “ Industria da Seca”, geradora de votos para o Cacique da Ocasião, tanto no âmbito municipal, estadual e federal.
Inocêncios pra lá, Inocêncios para cá, e surgiu o Bolsa Família, uma invenção do trânsfuga Marconi Perillo, governador do Estado de Goiás, encampado pelo senhor Lula da Silva, então 35º Presidente do Brasil.
E o Bolsa Família passou a ser o NOVO CORONEL DO SERTÃO, beneficiando seu organizador nordestino e pau de arara de Caetés, PE, bem como seu partido, o PT, e todos os seus aliados de ocasião.
Repito: Ela substituiu a figura centenária do Coronel, e de sua gente, pelos representantes ou aliados do Partido dos Trabalhadores, mas especificadamente do LULODILMISMO.  
Graças ao Bolsa Família a senhora Dilma Rousseff ganhou de lapada no Nordeste para Presidente do Brasil. 
Eu sempre fui contra o Bolsa Família por considera-lo eleitoreiro, e patrocinador do ÓCIO, do “não fazer nada”, o dolce far niente, de muitas famílias, principalmente as que moram nos grandes centros.
E continuo pensando isso.
Vejo gente que trabalha aqui em São Paulo, que não necessita dessa grana mensal, que usa e abusa do programa social “ direcionado às famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o País, de modo que consigam superar a situação de vulnerabilidade e pobreza”.
Para garantir seus votos os governantes não fazem a triagem que deveriam fazer e a população explora, espolia, assalta o Estado Brasileiro. 
Por causa disso o Bolsa Família deixa de ser “ um programa de transferência direta de renda” digno e justo.
CONTUDO ... assistindo na Globo a série 'Cem Anos da Seca do 15’, acima citado, ouvindo o que falou um nordestino digno na porta de sua casa a venda, sobre o que ele chamou de Bolsa Escola, pois o Bolsa Família é dado para “ as essas famílias terem o direito à alimentação e o acesso à educação e à saúde”, antevi que esse Programa Social poderia ser usado como um regulador da Política Migratória no Brasil. 
O que quero dizer:
Falou o bravo sertanejo que de fome ele e a família não morriam por causa do Bolsa Família (para ele Bolsa Escola), e por isso ali permanecia.
Na minha cabeça: PONTO PARA O BOLSA FAMÍLIA, POIS FIXOU A HOMEM A SUA LOCALIDADE NATAL.
O Bolsa Família evitou assim seu Êxodo para as grandes cidades, que estão ‘inchadas ‘, superpovoadas, com grandes problemas de infraestrutura, de moradia, de saúde, de educação, de transportes/ locomoção, de TRABALHO, etc, todos esses de difíceis soluções. 
O surto de dengue, de vírus zika, de chikungunya, graças ao Aedes aegypti, é o melhor exemplo de como as cidades estão esgotadas, pois as municipalidades não têm condições de suprir as necessidades dos seus moradores no que tange e a Limpeza Urbana, que tem como consequência a falta de um programa eficaz de saúde pública.
E isso é só um exemplo.   
As Grandes Cidades, ou mesmo as cidades intermediárias, não podem mais receber migrantes como se eles fossem água da chuva, como na década de cinquenta do século passado, do Brasil de JK, em nome da LIBERDADE, do Direto de Circulação, do Direto de ir e vir, não podem, não existe condições de assimilação desta população flutuante que deseja se estabelecer.
Não existe, e quem afirma ao contrário é demagogo, é irresponsável, é canalha, e um mau cidadão.
O aumento da marginalidade, tão decantada em prosa e verso, pelas TVs e pelo povo dos Diretos Humanos, é fruto desse Fluxo Migratório Desnorteado que assola o nosso país. 
O “cabra” chega com a família, não tem, também, como sobreviver com dignidade, vai roubar, matar e destruir.
Seus filhos que ouviram maravilhas sobre o final a viagem migratória, não conseguem ver realizados seus sonhos, o final do Arco-íris estava posicionado num lixão, sai para roubar, matar e destruir.
E assim é decretada a falência da Sociedade.
Para os Apóstolos do Caos, instalados em partidos de esquerda, é o Mundo Maravilhoso de Oz, é a volta ao Jardim do Éden, pois podem deitar suas baboseiras a vontade, e o povão acredita.
Pensam que vão poder conter essa massa ensandecida com suas posturas, e não vão, pois, toda revolução é antropofágica, e eles serão comidos, devorados, engolidos, pelas ondas revolucionárias, pelo Novo Poder Estabelecido, pela Nova Ordem.
Entretanto, não enxergam como nesse tempo no qual estão desfrutando do Poder poderiam melhorar a situação do Povão, não só as dos nordestinos, como, também, as dos citadinos, usando de maneira responsável o Bolsa Família, exemplifico:
Um Nordestino de Caetés, PE, está desempregado numa Grande Cidade, São Paulo por exemplo, só TERIA O DIRETO DE RECEBER O BOLSA FAMÍLIA SE VOLTASSE PARA SUA CIDADE NATAL, caso contrário não poderia se beneficiar do Bolsa Família, deste programa de distribuição direta de renda, nem tão pouco teria o Direito a nenhum outro Programa Social, inclusive o SUS e a Aposentadoria, bem como a quaisquer outros concedidos pelo Estado Brasileiro.
Só voltaria a receber ele e a desfrutar deles se comprovadamente estivesse residindo do em Caetés, no bravo Estado de Pernambuco, saiu dela, perdeu seus diretos, e PONTO FINAL.
É Stalinismo?
É, mas que foi que disse que Joseph Stalin não foi um grande estadista?
O sertanejo, que não tivesse como comprovar um emprego fixo de carteira assinada por no mínimo quatro (4) anos (tempo de um mandato de deputado Federal) não podia sair de sua localidade, caso contrário não poderia se beneficiar do Bolsa Família, deste programa de distribuição direta de renda, nem tão pouco teria o Direito a nenhum outro Programa Social, inclusive o SUS e a Aposentadoria, bem como a quaisquer outros concedidos pelo Estado Brasileiro.
Se perdesse o emprego, tinha que retornar, e PONTO FINAL.
É Stalinismo?
É, mas que foi que disse que Joseph Stalin não foi um grande estadista?
Eu só entendo, só compreendo, só aplaudo, o Programa Bolsa Família, se ele passar a ser usado como “ arma” da fixação do Homem a sua Terra, como um elemento Regulador da Política de Migração Brasileira, caso contrário continuarei afirmando que ele é um presente aos vagabundos de plantão, patrocinador do ÓCIO, do “não fazer nada”, o dolce far niente, de muitas famílias por esse Brasilzão afora.
Dito isso, afirmo que o efetivo combate a “ Industria da Seca”, a “ A Indústria da Miséria”, no Nordeste do meu Brasil varonil, só tem uma ‘arma’ que é efetivamente levar ÁGUA para o Sertão, e a única forma de fazê-lo é com a Dessalinização da Água do Mar, com as águas do Atlântico Sul que beijam as nossas praias, pois o resto é CAVILAÇÃO.

Jorge Eduardo Fontes Garcia
São Paulo, 1 de fevereiro de 1016






quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O Teatro de Revista, o Teatro Rebolado na masemba, virou lundum, que virou maxixe, donde nasceu o SAMBA - 6 - autor: Jorge Eduardo Fontes Garcia


Uma das primeiras montagens de Walter Pinto - Teatro Recreio -  Rio de Janeiro, anos 40.

A primeira peça de revista que assisti foi no Teatro Carlos Gomes na Praça Tiradentes, que é um dos teatros mais tradicionais do país, que pela primeira vez foi inaugurado em 1872, depois sofreu três grandes incêndios.
Não me lembro do nome da peça, mas me lembro de uma cena com um candelabro, e uma piada, que vou transcrever, se minha memória permitir:
“ Lá atrás daquela serra tem um cume, quanto mais o sol bate, quanto mais o cume arde”.
Não esqueci. 
Mais, esqueci quem foi o artista que contou.
Acredito que essa piada foi inspirada no “Poema do cume!!”, de autor anônimo, que está em  https://youtu.be/cOO9TzFqPzk ,  e é o seguinte:
No alto daquele cume
Plantei uma roseira
O vento no cume bate
A rosa no cume cheira.
Quando cai a chuva fina
Salpicos no cume caem
Formigas no cume entram
Abelhas do cume saem.
Quanto cai a chuva grossa
A água do cume desce
O barro do cume escorre
O mato no cume cresce.
Quando cessa a chuva
No cume volta a alegria
Pois torna a brilhar de novo
O sol que no cume ardia!



No sentido horário, Machado acompanhado de Irma Alvarez e Norma Tamar; ao conhecer o Xá da Pérsia e a Imperatriz Farah Diba, durante um espetáculo; e com seu porte todo elegante.
Créditos: Reprodução/Arquivo pessoal/istockphoto.com

 Walter Pinto 

Na minha mocidade haviam dois grandes empresários do gênero que eram Walter Pinto e Carlos Machado, na casa desse último eu fui, um belo duplex no último andar do Edifício Bocaina, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 259   - Copacabana - Rio de Janeiro, RJ.
Eram notáveis os figurinos de Gisela Machado, esposa de Carlos Machado, uma das poucas mulheres realmente elegantes que vi em minha vida, marcaram toda uma Época Aurea do Rio de Janeiro.
Elegantíssima, filha de família tradicional, prima da escritora Rachel de Queiroz e bisneta de Chiquinha Gonzaga, Gisela Maria Mancebo de Vasconcellos nunca imaginaria que um dia iria assinar Machado em seu sobrenome. O bom gosto, o refinamento e sofisticação dela foram fundamentais para a consagração de Carlos Machado no show business. Eles se conheceram em Petrópolis, no verão de 1940, e em 20 de julho de 1942 se casaram no Mosteiro São Bento.
Gisela sempre fechou um olho, às vezes dois, para as escapadinhas do marido, que, como bom gaúcho, gabava-se de suas aventuras. Ela, mesmo fazendo os figurinos dos shows, raramente era vista ao lado do marido. Foi durante um desfile de compras, nas lojas de tecidos Casas Canadá, que Gisela convidou uma das manequins da maison para ser vedete dos shows do marido. Era Norma Bengell, que mais tarde faria carreira internacional. Fonte: http://glamurama.uol.com.br/o-rei-dos-anos-dourados-historias-e-o-glamour-de-carlos-machado/


Machado com os filhos, José Carlos e Djenane, e a mulher, Gisela.
Créditos: Arquivo pessoal/Reprodução


Mais, nas “ companhias teatrais de Teatro rebolado” de Walter Pinto e Carlos Machado, foi assim que passamos a chamar o Teatro de Revista no Brasil, nas peças que montavam, atuaram atrizes – chamadas de vedete- como:
Íris Maria Brüzzi de Medeiros - Íris Bruzzi – que foi casada com Walter Pinto; A belíssima e estonteante com seus cabelos cor de fogo Mara Rúbia (Osmarina Lameira Colares Cintra, nascida na Ilha de Marajó);
Norma Bengell (Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães d'Áurea Bengell);
Virgínia Lane (Virgínia Giaccone);
A deslumbrante, meu sonho de moço, Carmem Verônica (a pernambucana Carmelita Varella Alliz Sicart);
A paulista Esther Tarcitano;
Dorinha Duval (a paulista Dora Teixeira, que foi casada com e Daniel Filho, da também atriz Carla Daniel);
Anilza Leoni (a catarinense Anilza Pinho de Carvalho, considerada “ uma das maiores vedetes do teatro rebolado");
A fabulosa Rose Rondelli ( Rosermy Rondelli que foi casada com Chico Anysio, mãe de Nizo Neto, nome artístico de Francisco Anízio de Oliveira Paula Neto);  Maria Pompeu;
Irma Álvarez (a argentina Irma Rufina Álvarez);
Angelita Martinez (que se dizia que era amante de Jango),
Aracy Cortes- ver abaixo (a carioca Zilda de Carvalho Espíndola, que era cantora e vedete. Foi quem cantou pela primeira vez “ Aquarela do Brasil”, um samba-exaltação de Ari Barroso);  
Berta Loran (a judia Basza Ajs nascida em Varsóvia, Polônia, em 23 de março de 1926, mas que “ em 1937, aos 11 anos, mudou-se com a família para o Brasil, instalando-se num sobrado na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro)
Consuelo Leandro (paulista de Lorena Maria Consuelo da Costa Ortiz Nogueira que casou com Agildo Ribeiro),
Elizabeth Gasper (alemã de nascimento),
Elvira Pagã (Elvira Olivieri Cozzolino, casou com Theodoro Eduardo Duvivier Filho, o famoso playboy conhecido internacionalmente como Eduardinho Duvivier),
Ilka Soares (Ilka Hack Soares, que foi casada com Anselmo Duarte e Walter Clark, que “em junho de 1984 foi a brasileira com mais idade (52 anos) a posar nua para a revista Playboy, marca superada em abril de 2003 por Helô Pinheiro, com 57 anos),
Luz Del Fuego (Dora Vivacqua da terra do Rei Roberto Carlos, ou seja, Cachoeiro de Itapemirim. Irmã do senador Attilio Vivacqua, que em “ Em 1944 inicia suas apresentações como "Luz Divina", no picadeiro do circo "Pavilhão Azul", posteriormente por sugestão do e palhaço Cascudo, mudaria o nome para Luz del Fuego, nome de um batom argentino recém-lançado no mercado. Adepta da alimentação vegetariana e do nudismo, não fumava, nem ingeria bebidas alcoólicas e, através de uma concessão da Marinha, obteve licença para viver na ilha Tapuama de Dentro, que foi por ela rebatizada como "Ilha do Sol" e onde fundou o primeiro clube naturista do Brasil, o "Clube Naturalista Brasileiro");
Salomé Parísio (a pernambucana de Bonito Dulce de Jesus de Oliveira)
Marli Marley (a mato-grossense Marly Marley de Toledo, que casou com o humorista Ary Toledo).
Nélia Paula, de Niterói, mas que faleceu vítima de ataque cardíaco aos 72 anos de idade no Rio de Janeiro;
Renata Fronzi (a argentina Renata Mirra Ana Maria Fronzi, que foi casada com o celebre radialista da Rádio Nacional César Ladeira e mãe de César Ladeira Filho e do músico Renato Ladeira),
Sonia Mamede (carioca que casou com Augusto César Vanucci),  
Wilza Carla de Niterói, intérprete de papéis sensuais, posteriormente, aproveitando o fato de que havia engordado bastante, celebrizou-se nos filmes do gênero "pornochanchada". Seu grande momento foi como Dona Redonda na novela Saramandaia, da Rede Globo. Morreu necessitada em São Paulo)
Entre outras.
 Dercy Gonçalves.

Dolores Gonçalves Costa, nascida em Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907, ou seja, a impagável Dercy Gonçalves, cujas peças a mãe de minha mãe, Dona Regina Alves Barreto de Almeida, ia com meu pai. Dercy faleceu em 19 de julho de 2008, com 101 anos de idade, no Rio de Janeiro, mas encontra-se sepultada em sua terra natal em Santa Maria Madalena em uma pirâmide de vidro e mármore.
Tumulo de Dercy

Os atores como Oscarito, Grande Otelo, Blecaute (também como cantor), Ankito, Costinha, José Vasconcellos, entre outros.
Vários compositores atuantes na época, como Freire Júnior, Eduardo Souto, Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Lamartine Babo, Hekel Tavares, Ary Barroso.
 Caymmi, Haroldo Barbosa, Almirante, Braguinha, etc...
Chamo atenção que “ Walter Pinto trouxe para a artista Ivaná, primeiro transexual de grande sucesso nos espetáculos franceses”.
No https://youtu.be/CX3BedMpkRY está escrito “Ivaná (Ivan Monteiro Damião), a primeira travesti do teatro de revista brasileiro no filme Mulher de Verdade, de Alberto Cavalcanti. Para saber mais sobre Ivaná, leia sua biografia no livro Cá e Lá, o Intercâmbio Cinematográfico entre o Brasil e Portugal, de Diego Nunes. Curta a página, o livro pode ser adquirido por lá”.



Mais o que era esse Teatro de Revista, que virou Teatro Rebolado?
O teatro de revista tornou-se um gênero popular no Brasil a partir do final do século XIX.
Entre os principais escritores de revista estava Arthur Azevedo. Em uma de suas revistas, intitulada A Fantasia (1896), ele apresenta a seguinte definição para o gênero:
"Pimenta sim, muita pimenta
E quatro, ou cinco, ou seis lundus,
Chalaças velhas, bolorentas,
Pernas à mostra e seios nus"....



No Dicionário Cravo Albin da Musica Popular Brasileira, verbete Teatro de Revista - Dados Artísticos:
Gênero de teatro musicado surgido no Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX.
Foi um grande lançador de compositores e músicos populares, numa época em que o principal mercado de trabalho era o teatro, os cabarés e os cafés dançantes.
O gênero firmou-se como consequência de uma necessária opção de lazer para as camadas da crescente classe média urbana do Rio de Janeiro.
Tinha como característica passar em revista os principais acontecimentos do ano, pondo em cena os fatos, revividos com humor e com o recurso da dança e da música. Segundo J. R.Tinhorão, o ambiente para o aparecimento desse gênero de teatro começou a ser preparado desde 1859, pelo gênero alegre do Alcázar Lyrique, do francês Joseph Arnaud.
Nesse mesmo ano, foi encenada "As surpresas do sr. José da Piedade", de Justino de Figueiredo Novais, considerada a primeira revista nacional, encenada sem sucesso no Teatro Ginástico.
A partir da década de 1880, com o aumento da classe média e com a crescente intensificação dos serviços urbanos, o teatro de revista consolidou-se.
Nessa época, Artur Azevedo já fazia sucesso com suas revistas, que contribuiriam para torná-lo o grande nome do teatro musical brasileiro.
No início, o novo gênero sofreu a influência das revistas europeias.
Em 1887, com a apresentação da revista "La gran via", encenada por uma companhia espanhola, o teatro musicado brasileiro sofreu uma transformação com a descoberta de números musicais cantados por coristas em movimento. As revistas brasileiras lançaram, a partir dessa época, um estilo que valorizava a canção popular, que acabaria tendo o teatro como seu importante divulgador. Esse fato foi o ponto de partida para usar o carnaval como tema nas revistas. Um ano depois do sucesso de "La gran via", Oscar Pederneiras estreou, no Teatro Recreio, uma revista com o nome "O boulevard da imprensa", na qual estariam representadas as três maiores sociedades carnavalescas do Rio de Janeiro: os Democráticos, os Tenentes do Diabo e os Fenianos. Cantadas nos palcos dos teatros, as músicas muitas vezes caíam na boca do povo, transformando-se em sucesso.
Foi o caso do tango "Araúna" ou "Xô, Araúna", lançado em 1885 na revista "Cocota", de Artur Azevedo.
Era um lundu amaxixado, interpretado na peça por Filipe de Lima, que foi tão cantado na época, que chegou a ser sucesso nacional (foi ouvido na voz de uma vendedora de balas da capital do Rio Grande do Sul, pelo gaúcho Aquiles Porto Alegre).
Outro sucesso foi o tango "As laranjas da Sabina", inspirado em caso policial, envolvendo uma ex- escrava gorda, vendedora de laranjas, que foi obrigada a retirar seu tabuleiro de laranjas por causa de uma manifestação de caráter republicano, promovida pelos estudantes de Medicina que costumavam frequentar sua barraca.
O caso rendeu até uma passeata.
O episódio ficou famoso porque os estudantes chegaram a jogar as laranjas da Sabina no exato momento em que a carruagem da princesa imperial regente passava em frente à barraca, quase sendo atingida pelos manifestantes.
Esse fato inspirou os irmãos Artur e Aluísio Azevedo a incluírem na revista "República" uma cena onde a atriz Ana Manarezzi, caracterizada como a baiana Sabina, canta o famoso tango.
Esse fato introduziu a figura da baiana como personagem reincidente nos palcos brasileiros.
Outro sucesso saído dos palcos do teatro musicado foi o tango "Gaúcho", de Chiquinha Gonzaga, uma das grandes compositoras do teatro de costumes brasileiro. Tocado e cantado por Machado Careca pela primeira vez na revista "Zizinha maxixe", de 1897, tornou-se um dos maiores sucessos da música popular brasileira.
Conhecido com o nome de "Corta-jaca", chegou a ser interpretado ao violão pela primeira-dama Nair de Teffé, no Palácio do Catete, em episódio que escandalizou a elite política e social de então.
Dentre os grandes maestros compositores que atuaram no teatro de revistas, podemos citar, além de Chiquinha Gonzaga, Nicolino Milano, Paulino Sacramento, Bento Moçurunga, Antônio Sá Pereira, Sofonias Dornelas, Adalberto Gomes de Carvalho, Costa Júnior, Bernardo Vivas, Júlio Cristóbal, Assis Pacheco, José Nunes, Luz Júnior, Domingos Roque, Roberto Soriano. Além deles, podemos citar os grandes cantores: Xisto Bahia, o cômico Vasques, Filipe de Lima, Ana Manarezzi, Maria Lino e tantos outros.
Posteriormente, veio uma nova geração de compositores e cantores que acabou sendo absorvida pelo rádio e pela indústria fonográfica: Freire Júnior, José Francisco de Freitas, Baiano, Araci Cortes, Pepa Delgado, Pepa Ruiz, Ismênia Mateus, Eduardo Souto, Sinhô, Henrique Vogeler, Hekel Tavares, Sebastião Cirino, Pixinguinha, Lamartine Babo, Ary Barroso, Augusto Vasseur, Vicente Celestino e tantos outros. Nossos grandes revistólogos foram Artur Azevedo, Oscar Pederneiras, Augusto Fábregas, Freire Júnior, Luís Peixoto, Luís Iglesias, Carlos Bittencourt, Cardoso de Meneses, Bastos Tigre, Marques Porto, Irmãos Quintiliano e outros.
Dentre os grandes sucessos vindos do teatro musicado, podemos citar, além do "Corta-jaca", de Chiquinha Gonzaga, "Vem cá, mulata", de Costa Júnior; o tango "Forrobodó", de Chiquinha Gonzaga; "O pé de anjo" e "Fala, meu louro", de Sinhô; "Ai, Ioiô", de Henrique Vogeler e Luís Peixoto; "Joujoux e balangandãs", de Lamartine Babo, e "No tabuleiro da baiana", de Ary Barroso, entre dezenas de outros títulos.  
Fim do verbete do DCAMPB.


 Surgido no Rio de Janeiro em 1859, com a revista de Justino de Fiqueiredo Novais intitulada As surpresas do Sr. José da Piedade, relacionada ao ano de 1858 em dois atos e quatro quadros. Essa revista foi estreada no Teatro Ginásio, dia 15 de janeiro de 1859. Esse novo gênero de teatro com música firmou-se definitivamente a partir da década de 1880, com o aparecimento do magnifico Artur de Azevedo que se tornou o maior nome do teatro musicado brasileiro em todos os tempos.
A partir da década de 1920, o teatro de revista sofreu a influência do cinema e seu tempo foi diminuído e passaram a concorrer, também, com os mágicos o que conduziu o gênero para o show, cuja tendência aumentou na década de 1930 com os espetáculos internacionais dos cassinos. Em 1935, foi encenada no Teatro Recreio, a revista de Freire Junior, intitulada Bailarina do cassino. Dessa forma a importância do teatro musicado passou para os shows de boate ou de teatros com o objetivo de atender a um público mais exigente.
Naqueles momentos, aportam no Rio de Janeiro duas companhias européias que iriam ditar a mudança completa do comportamento do gênero, tanto no palco como fora dele.
Salvyano Cavalcanti de Paiva conta, no livro Viva o rebolado, como foi a reação nacional à presença da companhia francesa Ba-Ta-Clan: “Despertaram interesse, surpresa e sensação a saúde e a marcação das coristas, de corpo escultural, a música viva e funcional, os cenários magnificentes, a movimentação de luzes e cores que ampliava os efeitos estéticos e cenográficos e, em especial, o apelo erótico alcançado mediante a mostra generosa do nu feminino – que a Censura, no primeiro momento, não ousou proibir para não parecer matuta.
Isto chocou mais aos empresários que ao público; verificaram, por fim, o acanhado das suas realizações. A consequência mais imediata foi a supressão das meias e das grosseiras roupas de malha das coristas. E tentativas de melhorar, enriquecer, as apoteoses: isto representou mudança radical na cenografia e nos figurinos e a introdução de uma coreografia consciente nos números de dança coletiva, até então executados na base do improviso”.
As observações se prestam também à companhia madrilense Velasco, que junto com a francesa trouxeram a feérie para o público carioca.
Foi tal o impacto das mulheres européias no país que, em São Paulo, um jovem tentou suicidar-se, saltando do viaduto do Chá, por amor a uma das francesinhas, e Juca Paranhos, futuro barão do Rio Branco, casou-se com a corista belga Marie Stevens.
A primeira revista brasileira não chegou a ficar em cartaz uma semana, por falta de público e proibição da censura, após a estreia.
Denominava-se “As surpresas do Sr. José da Piedade”, e foi encenado no Teatro Ginásio, no Rio de Janeiro, em 1859.
A segunda tentativa foi em 1875, com a A Revista do Ano de 1875, escrita por Joaquim Serra, mas que acabou fracassando por excesso de sátiras políticas. Ainda nesse ano, do mesmo Serra, Rei morto, rei posto dá sinais de que público começava a aceitar o novo tipo de teatro.
O grande sucesso brasileiro apareceria em 1883, com o O Mandarim, espetáculo de Artur Azevedo e Moreira Sampaio, com a participação do cançonetista e compositor Xisto Bahia, considerado um dos maiores artistas populares de sua época e, segundo o próprio Artur Azevedo, “o ator mais nacional que tivemos”. Como revista inteiramente brasileira, a primeira carnavalesca a ser montada intitulava-se O Boulevard da Imprensa de Oscar Pederneiras.
Portugal nos manda, em 1892, suas cançonetistas da revista Tintim por tintim, com bastante êxito.
A revista como balanço do ano desaparece no início do século. É o momento em que a música começa a tomar espaço maior no palco e o Carnaval a ser um dos seus principais motes, envolvendo-se o teatro de revista com as grandes sociedades carnavalescas, como os clubes dos Fenianos, Tenentes do Diabo, dos Democráticos e outros.

Na revista O Maxixe, em 1906, é lançado Vem cá mulata (Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre), no mesmo ritmo do título.
O teatro de revista como lançador de músicas que o povo adotaria de imediato. O público crescente deixava-se seduzir por um tipo de teatro que alcançava uma estrutura tipicamente brasileira, mais que isso, carioca, e a revista assumia agora o papel que cumpriria nos anos seguintes, de lançadora de sucessos da música popular brasileira.

Cidade essencialmente musical, mesmo assim, o Rio de Janeiro só veria o prestígio do teatro de revista consolidado, nos últimos anos da década de 10 e nos primeiros da de 20.
Assumida inteiramente a função de vitrine, abriria os palcos para compositores populares, que os levariam à celebridade, transformaria vedetes-cantoras nas mulheres mais desejadas e cobiçadas do país.
Nos anos 20, o nome mais famoso a ter suas composições levadas a cenas foi José Barbosa da Silva, o Sinhô, que se autointitulada o Rei do Samba.
Chegou à proeza – em duas ocasiões – de ter o mesmo samba cantado em duas revistas diferentes, encenadas simultaneamente.
Em 1920, estreia a revista Papagaio Louro, com mais um samba de Sinhô, “Fala meu louro”, e no Teatro São José, “Quem é bom já nasce feito”, aproveitando o nome de outro samba dele.
Luiz Peixoto chega de Paris e encena Meia noite e trinta, colocando no palco tudo o que aprendera lá. É a pá de cal no enterro da velha revista, que agora tem gosto refinado em cenários, guarda-roupa, iluminação, textos, e oferece muito melhores condições aos seus lançamentos musicais.

Adendo meu: Luís Carlos Peixoto de Castro Por 45 anos foi um dos nomes mais importantes do teatro de revista do Brasil, tendo produzido mais de cem peças do gênero.

Francisco Alves é uma das atrações, ao lado de sua mulher Nair. Além de cantar, dança desenvolto com ela. Ainda em 1923, Chico Alves participaria, junto com da iniciante Araci Cortes, da revista Sinhô de ópio, na qual interpretava um almofadinha cantor. A partir daí sua presença torna-se mais rara até por volta de 1930, quando abandona o teatro e passa a se interessar mais por gravações e programas radiofônicos. Durante 15 anos, o teatro de revista foi a sua vitrine.

Adendo meu: Francisco Alves, o Rei da Voz.
Francisco de Morais Alves (Rio de Janeiro, 19 de agosto de 1898 — Pindamonhangaba, 27 de setembro de 1952) foi um dos mais populares cantores do Brasil. Filho de portugueses, nasceu na Região Central do Rio de Janeiro, mais precisamente à Rua Conselheiro Saraiva.
Seu pai era dono de um botequim. Começou a cantar em 1918, nas companhias de teatro de João de Deus e Martins Chaves, e após, na companhia de Teatro São José, pertencente a José Segreto.
De 1927 até sua morte em 1952 nunca parou de gravar, daí se explicam os seus 524 discos. Ao contrário do que muitos pensam, ele não foi o primeiro a fazer um disco pelo processo elétrico no Brasil. Francisco Alves começou sua carreira em 1918 no teatro. No ano seguinte, a convite de Sinhô, gravou 2 discos em uma gravadora recém-aberta pelo marido de Chiquinha Gonzaga, a Popular. As três músicas gravadas nesses discos - Alivia estes olhos, Papagaio louro e O pé de anjo - foram destinadas ao carnaval de 1920, sendo O pé de anjo a que obteve maior êxito ficando então como o primeiro sucesso de sua carreira.
Se dedicou por alguns anos (1920-1924) apenas no teatro até que em 1924 grava mais dois discos, estes na Casa Edison de Fred Figner.
Morreu carbonizado por ocasião de uma colisão entre seu automóvel e um caminhão, que imprudentemente entrou na contramão, na Via Dutra, em Pindamonhangaba, na divisa com Taubaté, estado de São Paulo, quando voltava ao Rio de Janeiro. Foi enterrado no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, cuja cripta atrai até hoje diversos visitantes e fãs.
Seu epitáfio foi escrito pelo jornalista David Nasser:
"Tu, só tu, madeira fria, sentirás toda agonia do silêncio do cantor".





Considerada uma das maiores estrelas do teatro de revista em todos os tempos, a paulista Margarida Max ( primeira personagem a esquerda)  formou, com Augusto Aníbal e João Lins, o trio principal de atrações da revista 'Onde está o Gato". De autoria de Geysa Bôscoli e Luiz Iglésias foi montada em 1929, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.

Um êxito estrondoso marcou o aparecimento, como estrela, de Margarida Max. A cinco de maio de 1924, estreou no Teatro Recreio, de Marques Porto e Afonso de Carvalho, a revista À La Garçonne, que modificaria costumes no país. Depois de trezentas representações, excursionou pelo Brasil, lançando a moda dos cabelos curtos para mulheres, “a lá garçonne” ou “a la homme”, tal como usava Margarida. Bonita, vistosa, talentosa e jovem, com enorme força interior, que faria dela a maior das vedetes do gênero. Iniciava ali uma carreira que acabaria por desbancar a estrelíssima Otília Amorim, vencendo as concorrências de Antônia Denegri, Eva Stachino, Lia Binatti, Zaíra Cavalcanti e da própria Araci Cortes, que ao final seria sua sucessora, sem contudo, alcançar seu status de grande dama do teatro de revista.
Até a chegada dos anos 40, o teatro de revista manteve sua missão de lançador da música brasileira.
Em 1939, na revista Camisa amarela, no Teatro Recreio, Moreira da Silva ainda encontra espaço para popularizar o samba de breque.
Daí para frente, mudaria a filosofia, entrariam as vedetes estrangeiras, reinariam as plumas e os paetês, o texto ganharia o espaço maior e o rádio passaria a ser o grande divulgador da música do povo. Grifo meu.
Dizem todos: / Tem uma graça feiticeira, / Só porque aqui nasci / Nesta terra brasileira / Com meu cheiro de canela / Minha cor de sapoti, / Dizem todos: / Lá vem ela! / O demônio da Araci!
O samba Graça de Araci, de Ary Barroso, na revista Não adianta chorar, encenada em agosto de 1929, no Teatro Recreio do Rio de Janeiro, retratava musicalmente a mais polêmica, musical e importante vedete que o teatro de revista brasileiro teve em toda a sua história.
Zilda de Carvalho Espíndola começou a escalada para a fama no teatro de revista brasileiro, ao integrar o elenco de Sonho de Ópio, estreada em novembro de 1923, no Teatro São José. A figura de mulher bem brasileira, a morenice tentadora e petulante, somadas à boa voz, segura interpretação e presença dominante em cena, logo fizeram dela atriz disputada pelos empresários para as montagens de revistas subsequentes.
Aliás, disputada foi a palavra que Aracy Cortes, nome artístico adotado por Zilda, mais ouviu em toda a sua vida. Disputava-se Aracy atriz, Aracy mulher e, principalmente, Aracy cantora. Em muito pouco tempo, a fama de intérprete afinada, maliciosa, de excelente estampa, agradando plenamente ao público, fazia com que todos os compositores a procurassem para ver suas músicas incluídas nas revistas por ela estreladas.
A princípio, Aracy era obrigada a cantar as músicas apontadas pelo repertório original dos espetáculos, mas sua força cresceu tanto que passou a impor composições e compositores de seu agrado. De tal forma que até mesmo algumas revistas acabavam por serem batizadas com nomes de suas músicas favoritas.
No início da carreira, houve, entre ela e o compositor Sinhô, como que uma troca de favores. Era ele quem tinha fama, enquanto ela era principiante. Mas depois de ter aprendido muito de interpretação com o maestro Paulino Sacramento, de ser dirigida e orientada por Luís Peixoto, Aracy começou a se ombrear com o compositor e, quando cantou dele, em 1929, o samba Jura, estava efetivamente consagrada. Todas as noites bisava e trisava, na revista Microlândia, de Marques Porto, Luís Peixoto e Alfredo de Carvalho, no Teatro Fênix, de início, e posteriormente no Palace-Théâtre. Interessava, então, a Sinhô que a força de Aracy fosse usada no lançamento de suas músicas

 Aracy Cortes

Mulher muito à frente de seu tempo, Aracy Cortes desde sempre desafiava preconceitos. Escorada na beleza física e na graça com que se apresentava nos palcos do teatro de revista, construiu carreira que lhe permitia todas as ousadias. Como a posar praticamente nua, "vestida" apenas com um violão, foto de 1924, resultando em um dos seus maiores sucessos, a canção "Gemer num violão", que ela interpretava de forma desabusada, sempre na certeza de ser chamada de volta ao palco, três ou quatro vezes por noite. Até encerrar em definitivo a carreira, no musical "Rosa de ouro", que a conduziu ao palco nos anos 60, manteve a pose e o charme de grande estrela.
Força que ficou patente em outro clássico absoluto da música popular brasileira, tido pelos pesquisadores como o primeiro samba-canção que se conhece. Linda flor, de Henrique Vogeler, fora lançado, com letra de Cândido Costa, em uma comédia musicada de Freire Júnior, chamada A verdade ao meio-dia, em agosto de 1928.
Cantada por Dulce de Almeida, passou despercebida.
Mais tarde, ao montar a revista Miss Brasil (no Teatro Recreio, em dezembro do mesmo ano), Luís Peixoto colocou nova letra, rebatizou-a como Iaiá, que acabou famosa como Ai, Ioiô, e entregou-a a Aracy.
Sucesso imediato no palco e definitivo em disco, com prêmio ganho até na Alemanha.
A voz de Aracy Cortes tinha o “toque de Midas”.
Nada mais natural, portanto, que fosse assediada por todos os grandes compositores.
Desde o maestro Paulino Sacramento, seu mestre musical, de quem lançou o samba Ai, madame, logo na estreia, até o consagrado Ary Barroso, todos a cortejavam. E ela rainha que era, aceitava tranquilamente a corte.
De Ary começou logo com Vou à Penha e Vamos deixar de intimidade (ambos, depois gravados por Mário Reis), lançados na revista Laranja da China, de Olegário Mariano, no Teatro Carlos Gomes, em 1929.
Lançou no teatro e no disco (de Ary e Lamartine Babo), Gemer num violão e, só de Ary, o citado Graça de Aracy, além de Eu sou do amor, Orgia, Boneca de piche, Deixa disso, Na batucada da vida, entre os mais conhecidos.
Noel Rosa, que pouca gente sabe ter andado pelo teatro de revista, entregou muito samba de sua autoria à voz de Aracy.
Em janeiro de 1931, na revista Deixa essa mulher falar, ela cantava do Poeta da Vila, Com que roupa?. Além deste, em outras revistas, Aracy voltou a interpretar Noel em primeira mão, com sambas depois consagrados em diversas gravações: Queixume, Gago apaixonado e Dona Aracy.
Muitos outros sambistas de respeito pediram a bênção à grande estrela. Wilson Batista contava que aos 16 anos, trabalhando como eletricista no Teatro Recreio, teve seu samba Na estrada da vida lançado por ela. Almirante viu seu clássico (em parceria com Candoca da Anunciação) Na Pavuna cantado por Aracy na revista Dá nela, no Teatro Recreio, em 1930.
Com tanto sucesso que virou nome de outra revista, montada por Freire Júnior no Teatro Cassino Beira Mar. De Ismael Silva e Nilton Bastos, ela lançou Se você jurar e, de Lamartine Babo, o samba Lua cor de prata e o antológico Canção para inglês ver.
Mário Lago entregou-lhe Beijei, e Custódio Mesquita fez para ela, em parceria com Paulo Orlando, O tempo passa. De Kid Pepe, Germano Augusto e Seda, Aracy imortalizou o samba Implorar.
Bastaria, enfim, a simples carreira de Aracy Cortes para justificar o teatro de revista como palco lançador de sucessos da música popular brasileira, em particular o samba. Grifo meu.
Mas, a revista ainda fez mais, durante algum tempo, antes de se tornar apenas um festival de plumas, pernas e piadas.
Grifo meu.
Em junho de 1941, por exemplo, estreava no Teatro João Caetano, sempre na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, a revista Brasil Pandeiro, de Freire Júnior e Luís Pereira, musicada pelo baiano Assis Valente. Luxuosa e feérica, a revista apresentava quadros empolgantes e apoteóticos, ideal para a sambista Horacina Correia, uma mulata transpirando ritmo, lançar o samba que dava título à revista: “O tio Sam está querendo / conhecer a nossa batucada. / Anda dizendo que o molho da baiana / melhorou seu prato. / Vai entrar no cuscuz, / acarajé e abará”.
No ano seguinte, Assis Valente volta à revista, musicando A vitória é nossa, de Geysa Bôscoli e Freire Júnior, e, em 1943, sempre tendo como pano de fundo a presença brasileira na Segunda Guerra Mundial, Assis e Freire se juntam de novo e encenam Rei Momo na Guerra, estrelado por Dercy Gonçalves. Grifo meu.
O ponto alto era a figura do compositor Geraldo Pereira e 150 passistas e ritmistas da Escola de Samba da Mangueira, que pela primeira vez evoluía em um palco de revista. Grifo meu.


Em 1944, Walter Pinto encena, assinada por Geysa Bôscoli e Luís Peixoto, a revista Momo na fila, sempre no seu reduto, o Teatro Recreio.
Novamente Dercy é a estrela, e o êxito alcançado no ano anterior leva a Mangueira de volta ao teatro de revista, desta vez uma mini-escola de samba completa, sempre dirigida por seu compositor Geraldo Pereira.
Para encenar To aí nessa boca, de 1949, J. Maia aproveitou a composição Que samba bom, de Geraldo Pereira, e criou a revista.
Não foi, porém, apenas Aracy Cortes que lançou grandes sambas e sambistas no teatro de revista. Mas, intérpretes de outros sambas alcançaram também sucesso, paralelas a Aracy, ou mesmo depois de a estrela entrar em declínio. Em 1933, por exemplo, quando da montagem de É batata, de Luiz Iglesias e Freire Júnior, da qual a própria estrela era Aracy, estava no palco uma estrela-mirim, apelidada Shirley Temple brasileira, que se chamava Isa Rodrigues.
O comediante Oscarito, oriundo dos circos e que já tinha projeção na revista, sua mulher Margot Louro e a atriz Eva Todor dividiam, com a revelação infantil, as preferências do público. Aracy Cortes cantava Mulher, samba do portelense João da Gente, e Isa Rodrigues, que se tornaria grande caricata, arrebatava o público, cantando com Oscarito, de Ary Barroso, No tabuleiro da baiana, que Carmen Miranda acabara de gravar.
O gênero – designado mais como batuque que samba -, uma apoteose de basilidade, a figura da “baiana” sempre agradando, às vezes a mulher branca fingindo-se de mulata, fora lançado nos palcos por outra sambista de bossa e talento, a bela Deo Maia. Grifo meu.
Esta sim, mulata autêntica, que por longos anos manteve seu sucesso no teatro de revista, sempre com uma multidão de fãs.
Fora do teatro, Deo Maia jamais conseguiu o mesmo êxito.
Ainda por muito tempo, o teatro de revista lançaria sambas e sambistas. As modificações sociais e políticas pelas quais passariam o Brasil não deixariam, porém, de atingi-lo e, ao fim dos anos 50, as coisas já tomavam outros rumos.
No final do ciclo como lançador de sucessos, o teatro de revista tem seu magnífico canto de cisne. Grifo meu.
No Teatro Carlos Gomes, na revista Branco tu é meu, em janeiro de 1952, Linda Baptista lança, de Lupicínio Rodrigues, o samba Vingança.
Praça Tiradentes e o teatro de revista
Centro nervoso dos teatros de revista do Rio de Janeiro, a Praça Tiradentes atraía compositores, músicos e cantores, à procura de emprego para seus talentos, nos muitos palcos iluminados, que faziam a cidade sonhar e cantar.
As casas de espetáculo não somente se multiplicam pelos vários espaços centrais da cidade, como se vão adequando aos novos estratos sociais emergentes, principalmente as classes médias.
Dentro desse contexto, a Praça Tiradentes e seu entorno constituíram-se em um dos privilegiados locais para divulgação e circulação dos artistas – em especial, músicos, compositores e cantores – do período.
Além de dos teatros João Caetano, Recreio, São José, Carlos Gomes, entre outros, onde se concentravam aqueles profissionais, bares e leiterias também representavam lugares de atração e de encontro para os que buscavam na praça uma oportunidade para exercer profissionalmente seus talentos.
Os mais procurados eram a Leiteria Dom Pedro II e o Café Carlos Gomes, onde hoje existe o Café Thalia, pontos de reunião de compositores como Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Wilson Batista, Henrique de Almeida, Roberto Martins, Bidê, Marçal, Jorge Faraj, Ataulfo Alves, Antonio Almeida e tantos outros.
Sabiam eles que, a qualquer momento, poderia surgir a chance de um trabalho ser aproveitado em uma das muitas revistas que eram encenadas nos teatros da praça. Custódio Mesquita, Ary Barroso, Sinhô, André Filho, Francisco Matoso já tinham se consagrado por ali e de repente a sorte poderia aparecer.
No caso de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, jamais conseguiram participar das revistas, mas acabaram por se encontrar nos bares da praça e formar uma das mais importantes parcerias da música popular brasileira.
A maioria dos cantores e compositores “ainda do time de aspirantes” frequentava a Praça Tiradentes, uma espécie de vestibular.
Depois de famosos e ganhando dinheiro para pagar elegantes alfaiates, já bem-sucedidos, transferiam-se para o Café Nice ou para o Café Papagaio, ao lado da conceituada Confeitaria Colombo.
Enquanto isso não acontecia, a solução era enfrentar as xícaras de café com leite nos botequins da Praça Tiradentes, compor os sambas em suas mesas, com tampo de mármore e pé de ferro, e aguardar que o sucesso os viesse resgatar dali, ou que o próprio teatro de revista se encarregasse de os fazer famosos.
Fonte: História do Samba (fascículos) - Editora Globo.