segunda-feira, 23 de junho de 2014

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: Doña Sofía, Reina Consorte de España - autor: Jorg...

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: Doña Sofía, Reina Consorte de España - autor: Jorg...: Acima a foto do beijo da Rainha no Rei. Doña Sofía, Reina Consorte de España De 1975 até 2014. Sua Alteza Real Princesa Sof...

Doña Sofía, Reina Consorte de España - autor: Jorge Eduardo Garcia

Acima a foto do beijo da Rainha no Rei.

Doña Sofía,
Reina Consorte de España
De 1975 até 2014.

Sua Alteza Real Princesa Sofía de Grecia y Dinamarca, Sophia Margarita Victoria Frederika, em grego Σοφία Μαργαρίτα Βικτωρία Φρειδερίκη, nasceu no Palácio Real de Tatoi, a residência favorita de seus pais e onde eles estão sepultados, na localidade de Psykhikó, 20 milhas ao norte de Atenas, Grécia, em 2 de novembro de 1938.
Seu pai foi Sua Majestade Paulo I, Rei dos Helenos, Παῦλος, Βασιλεὺς τῶν Ἑλλήνων, Pávlos, Vasiléfs ton Ellínon, nascido em 14 de dezembro de 1901 e falecido em 6 de março de 1964, reinou de  1 de abril de 1947 até 6 de março de 1964, da Dinastia de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg, Ramo cadete da Casa de Oldenburg , o terceiro filho do Rei Constantino I, Rei dos Helenos,  e da Rainha  Sophie, nascida Princesa da Prússia , da Dinastia Hohenzollern, filha de Frederico III, Imperador da Alemanha (Kaiser) e Rei da Prússia e de Victoria Adelaide Mary Louisa, Princesa da Inglaterra, filha de Vitoria, da Rainha e Imperatriz Victoria, da Inglaterra e do Império Britânico e , também,  irmã mais nova do Kaiser Guilherme II, o Imperador alemão da I Grande Guerra ( 1914/1918). Um pedigree e tanto.
Paulo I de 1917 a 1920, de 1923 a 1935, de 1941 a 1946 viveu no exílio. Na Segunda Guerra Mundial , quando a Grécia estava sob ocupação alemã, viveu em Londres e no Cairo juntamente com o governo grego no exilio de onde transmitia mensagens para o povo grego.
Voltou do exilio, foi entronizado em 1 de abril de 1947 , tornando-se assim Rei dos Helenos pela morte se seu irmão George II. Sua coroação se deu em plena Guerra Civil entre gregos comunistas e o governo grego não comunista.
Na década de 1950 a Grécia teve um grande desenvolvimento econômico graças a atuação do Rei Paulo I, que visitou vários países conseguindo assim investimentos para Nova Grécia.
Em 1959 operou uma catarata,  em 1963 uma operação de  apendicite, em  fevereiro de 1964, uma operação para retirada de um câncer no estômago,  morrendo por complicações dessa cirurgia  uma semana mais tarde, em Atenas.
Sua mãe foi Rainha Frederica, nascida Federica de Hannover - Friederike Luise Thyra Viktoria Margarete Sophie Olga Cecile Isabelle Christina, em grego Φρειδερίκη Λουίζα Θυρεσία Βικτώρια Μαργαρίτα Σοφία Όλγα Σεσίλια Ισαβέλλα Χριστίνα, Princesa de Hannover , Duquesa de Brunswick e Luneburgo.  Federica nasceu em 18 de abril de 1917, em Blankenburg , Harz , Império Alemão . Filha de Ernesto Augusto III, Duque de Brunswick e Princesa Victoria Louise da Prússia, a única filha do Imperador Guilherme II da Alemanha (o Imperador alemão da I Grande Guerra ( 1914/1918)e da Imperatriz Augusta Vitória , da Casa de Schleswig-Holstein .
Como um descendente do George III, Rei da Inglaterra, Escócia, Irlanda,  da Dinastia de Hannover, no momento de seu nascimento, ocupava o trigésimo quarto na linha sucessória do Trono britânico.
O Rei e a Rainha eram primos da Rainha Elizabeth da Inglaterra e de seu marido o Príncipe Felipe, Duque de Edimburgo.
Casaram-se em Atenas no dia 9 de janeiro de 1938 e tiveram três filhos:
Sua Majestade Doña Sofia, Rainha da Espanha;
Sua Majestade Constantino , Rei dos Helenos,  Κωνσταντῖνος Β, Βασιλεὺς τῶν Ἑλλήνων,  nasceu no Palácio Real de Tatoi, Psychiko, Atenas, em 2 de Junho de 1940, seu reinado durou de 6 de marco de 1964 até 1 de junho de 1973, quando a monarquia foi abolida, Príncipe da Dinamarca.
Sua Alteza Real Irene Princesa da Grécia e Dinamarca, nasceu na Cidade do Cabo, África do Sul, em 11 de Maio de 1942.
“Frederica era atraente e inteligente, mas também autocrática”
Na Comunidade Internacional a Rainha Frederica era considera “o único homem da Família Real Grega”, pois ela era “famosa por suas numerosas intervenções arbitrárias e inconstitucionais na política e os confrontos com os governos democraticamente eleitos gregos”, sendo considerada "inherently undemocratic" ("inerentemente antidemocrática" ou “ intrinsicamente antidemocrática ), tanto que não era só alvo da oposição em seu país como, também, no exterior.
“Sua interferência na política foi duramente criticada e o fator mais importante no fortalecimento dos sentimentos republicanos”.
Entretanto como “Filha de Reis” queria ver seu único filho, Constantino, coroado, e conseguiu.
Em 6 de março de 1964, Constantino, Duque de Esparta,  foi coroado Rei dos Helenos.
No começo do reinado de Constantino deu pitacos que pioram as coisas para o lado da Família Real.
Em 18 de setembro de 1964, em uma cerimônia ortodoxa grega na Catedral Metropolitana de Atenas,  Constantino II  casou com sua prima, princesa  Ana Maria Ingrid Dagmar da Dinamarca,  Άννα-Μαρία Βασίλισσα των Ελλήνων  , Rei Frederico IX da Dinamarca e da Rainha Ingrid, nascida Princesa da Suécia, portanto irmã de Margrethe II, Rainha da Dinamarca.
Rainha Frederica afastou-se da maioria de seus deveres reais públicas a favor da nova Rainha, contudo “ela permaneceu uma figura polêmica e foi acusado pela imprensa de ser a eminência parda por trás do trono”.
“Em resposta, ela renunciou a seu apanágio e retirou-se para a zona rural onde viveu uma vida quase reclusa. No entanto, ela continuou a participar de eventos reais que eram orientadas para a família, como os batismos de seus netos, tanto na Espanha e na Grécia”.
“Após o golpe militar de 1967, que instaurou a ditadura dos coronéis na Grécia, o Rei Constantino II, como chefe de Estado, aceitou o juramento do governo golpista, legitimando o novo regime - ato que foi objeto de muitas críticas.“
“Em 13 de dezembro de 1967, foi forçado a fugir do país, após um contragolpe fracassado contra a junta, ”.
“Permaneceu Rei de jure como chefe do estado, até 1° de junho de 1973, quando a junta aboliu a monarquia, depois de um plesbicito,  e proclamou a república, um reinado de 9 anos, 2 meses e 25 dias”.
“A extinção da monarquia foi confirmada após a queda da junta, através um plebiscito, em 8 de dezembro de 1974, quando foi instituída a Terceira República Helênica”.
“Frederica, com sua filha Irene, mudou-se para Madras, na Índia, e passou longos períodos em Espanha com sua filha a Rainha Sofia”. 
Passando a residir em Madrid acabou falecendo nessa cidade em 6 de Fevereiro de 1981.
Seu legado para sua filha Doña Sofia, Rainha da Espanha, foi sem duvida nenhuma o senso do dever que uma Rainha tem que trabalhar ferrenhamente, obstinadamente, com toda dedicação, fazendo de objetivo de vida, para que seu filho (ou filha) fosse coroado.  Para melhor explicar vou transcrever um artigo de O Globo:
MADRI — Em público, ele se mostra sério e um pouco tímido. Em particular, revela humor e ternura. Felipe de Bourbon se parece mais com a mãe do que com o pai. Mas Sofia acha mesmo é que ele se assemelha mais ao rei Paulo, o avô materno que ele não conheceu. A rainha tem uma queda por ele.
— Estou apaixonada por meu filho — afirmou várias vezes.
A relação entre os dois é cúmplice e especial desde que ele veio ao mundo, há 46 anos, em Madri. Nesse dia, o pai correu pelo corredor gritando:
— É um menino!
Felipe nascia depois das princesas Elena e Cristina. E foi criado como herdeiro do trono. Paralelamente, foi peça-chave nos últimos anos na família. Exerceu o papel de mediador entre os pais, e sua voz foi escutada quando se analisava o indiciamento do cunhado Iñaki Urdangarin pelo envolvimento no Caso Nóos. O então príncipe sempre foi firme, e tanto em público quanto em particular pediu que a Justiça agisse. Ele se distanciou de Urdangarín numa mudança marcante: passou de quem era próximo o suficiente para pedir ao cunhado que comprasse de maneira discreta o anel com o qual pediria Letizia Ortiz em casamento a alguém que sequer dirige a palavra ao marido de Cristina.
Os três irmãos sempre se deram bem, mas Felipe e Cristina sempre haviam sido mais próximos, com temperamentos mais semelhantes. São mais parecidos com a rainha Sofia. Já Elena é uma Borbón.
No Palácio de La Zarzuela, em família, conversa-se em inglês na presença de Sofia. Foi uma norma imposta com o objetivo de que os príncipes falassem inglês com fluência. Com Juan Carlos falam em espanhol. Os filhos o chamam de patrón, da mesma forma como Juan Carlos se referia a seu pai. Um termo marítimo que tem a ver com a paixão pela vela que a família compartilha.
— Todos navegamos desde pequenos. Talvez isso nos motive a praticar mais. E se há a oportunidade de participar de uma competição importante, você tenta — disse Felipe em 1992, ao comentar sua participação nos Jogos Olímpicos.
O surgimento de uma jornalista divorciada representou um tsunami na vida da família real. Felipe já havia cedido em relação a outras namoradas. Mas estava determinado a seguir em frente com Letizia. O príncipe apostou forte e ganhou. A mãe foi mais uma vez sua cúmplice. Letizia chegou ao palácio no inverno de 2003 para ser tutelada pela rainha.
Dez anos depois, o casal tem duas filhas: Leonor, de 8 anos, e Sofia, de 6. Eles agora têm a tarefa de dar um novo sentido à monarquia espanhola, para que ela continue a existir.
Read more: http://oglobo.globo.com/mundo/felipe-um-soberano-em-familia-12901832#ixzz35CsCfSVb
Exerceu o papel de mediador entre os pais,”..., pois, o casamento entre Juan Carlos e Sofia não foi um conto de fadas, muito pelo contrario, o Soberano retirado, como bom Borbón, é muito mulherengo, tendo ate dois processos de reconhecimento de paternidade, que não vai adiante, nem ira, pois eles ainda portarão  os  Titulo de Rei  e de Rainha de Espanha,  por força de um  decreto real  aprovado pelo Conselho de Ministro garante as  imunidades aos Soberanos aposentados tanto em relação a processos civis, quanto criminais. 
Em seu pronunciamento frente as Cortes, quando jurou a Constituição, e foi proclamado Rei de Espanha, Dom Felipe VI fez de publico um elogio  ao senso do dever de Doña Sofia não só como Rei, mas, também, como filho. Foi emocionante.
Essa declaração sem duvida nenhuma prova  o que digo:
 ‘Doña Sofia, Rainha da Espanha, tem  o senso do dever que uma Rainha tem que trabalhar ferrenhamente, obstinadamente, com toda dedicação, fazendo de objetivo de vida, para que seu filho fosse coroado’. 
E digo mais:
No Balcão do Palácio Real , frente ao povo que aclamava seu filho, Doña Sofia deu um beijinho em sua neta , Infanta Sofia, e depois no marido, o Rei Emérito, Dom Juan Carlos, num gesto claro de agradecimento pela abdicação que deu chance de seu filho, Felipe Juan Pablo Alfonso de Todos los Santos de Borbón y Grecia, se torna-se Dom Felipe VI, Sua Católica Majestade, o
 Rei da Espanha, de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valencia, de Galícia, de Maiorca, de Sevilha, de Sardenha, de Córdoba, de Córcega, de Múrcia, de Menorca, de Jaén, dos Algarves, de Algeciras, de Gibraltar, das Ilhas Canárias, das Índias Orientais e Ocidentais e das Ilhas e Terra Firme do Mar Oceano;
Arquiduque da Áustria;
Duque de Borgonha, Brabante, Milão, Atenas e Neopatria;
Conde de Habsburgo, Flandres, Tirol, Rossilhão e Barcelona;
Senhor de Biscaia e Molina;
Etc.5
Capitão General das Forças Armadas, das que ostenta o comando supremo;
Soberano Grão-Mestre da Insígne Ordem do Tosão de Ouro;
Grão-Mestre da Real e Distinta Ordem de Carlos III;
Grão-Mestre da Real Ordem de Isabel a Católica;
Grão-Mestre da Ordem do Mérito Civil;
Grão-Mestre da Ordem de Afonso X o Sábio;
Grão-Mestre da Ordem de São Raimundo de Penaforte;
Grão-Mestre das ordens militares de Montesa, Alcántara, Calatrava e Santiago, assim como de outras ordens militares menores ou condecoraciones de España.
Foi emocionante.
Abaixo o link do discurso de Sua Católica Majestade Dom Felipe VI:


Jorge Eduardo Garcia


sexta-feira, 20 de junho de 2014

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: O CHATO DO EXTRA ORDINÁRIOS DO SPORTV. AUTOR:Jorge...

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: O CHATO DO EXTRA ORDINÁRIOS DO SPORTV. AUTOR:Jorge...: Eduardo Bueno, vulgo Peninha, escreveu alguns livros sobre Historia do Brasil, contudo neles não há nada que já não havia sido escrito po...

O CHATO DO EXTRA ORDINÁRIOS DO SPORTV. AUTOR:Jorge Eduardo Garcia


Eduardo Bueno, vulgo Peninha, escreveu alguns livros sobre Historia do Brasil, contudo neles não há nada que já não havia sido escrito por Octavio Tarquínio de Souza (História do Brasil 1500-1822 (1944 - Obra em parceria com Sérgio Buarque de Hollanda, entre outros), por Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro (História geral do Brasil, entre outros), pelo Acadêmico e Magnifico Reitor Pedro Calmon Moniz de Bittencourt (História do Brasil, 7 vols., ilustrados , entre outros), esta trabalhando no ExtraOrdinários , um programa da SportV, onde esta se revelando um chato de galocha, capa de chuva e guarda-chuva.
O Camarada não para de falar, quer atenção só pra si, grita como um louco, e diz bobagens de monte...
O Troféu Chato da Copa saiu das mãos do André Rizek, do Redação SporTV , vencedor na copa da África, e foi para as mãos do vulgo Peninha.
Escrevi no twitter do programa (@ sportv#extraordinários) o seguinte:
Esse Peninha como historiador menor deveria se lembrar do que o ex-Rei de Espanha falou para o Hugo Chaves: "Por que não te calas?
Ave...
Jorge Eduardo

quinta-feira, 19 de junho de 2014

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: ‘Game of Thrones’ na vida real - jornal O GLOBO - ...

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: ‘Game of Thrones’ na vida real - jornal O GLOBO - ...: Tiago de Molay, na fogueira - Tiago de Molay -  Filipe IV , Rei de França, o Belo, o Rei de Mármore ou o Rei de Ferro, da Dinastia do C...

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: De Henrique IV a ...

JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: JORGE EDUARDO GARCIA - IN FOCUS: De Henrique IV a ...: JORGE EDUARDO GARCIA - EM FOCO: De Henrique IV a Juan Carlos I. Os Capetos de Bour ... : Louis XIII de França (Rei de França e de Navarra) ...

‘Game of Thrones’ na vida real - jornal O GLOBO - autor André Machado


Tiago de Molay, na fogueira - Tiago de Molay - Filipe IV , Rei de França, o Belo, o Rei de Mármore ou o Rei de Ferro,da Dinastia do Capetos Direto

Jornal O GLOBO digital

‘Game of Thrones’ na vida real

Fim do reinado de Filipe, O Belo, testemunhou a dissolução dos templários e um grave caso de adultério

POR ANDRÉ MACHADO
14/06/2014 6:00

RIO - Intriga. Traição. Adultério. Execuções cruéis. Perseguições. Não, não é um spoiler do último episódio da quarta temporada de “Game of Thrones”, que termina domingo: é a França de 700 anos atrás, imortalizada na ficção por outra saga célebre, “Os reis malditos”, série de sete romances de Maurice Druon. Em 1314, a França medieval viveu um ano, para dizer o mínimo, turbulento, sob o reinado de Filipe IV, conhecido como O Belo. Naquele longínquo ano, foi dado o golpe final na Ordem dos Templários, com a execução de seu último grão-mestre, Tiago de Molay, na fogueira. Também foi a época em que se revelou um escândalo de adultério envolvendo duas noras do rei, uma delas a esposa do primogênito, herdeiro do trono francês. O resultado foi a execução brutal dos dois amantes das princesas. Por fim, antes de o ano acabar, morreu o próprio rei, provavelmente de um acidente vascular cerebral, deixando temporariamente um vácuo de poder, já que seus três filhos reinaram brevemente em rápida sucessão, pouco acrescentando ao trono francês.

Heresia e morte na fogueira

A primeira cena dantesca do ano é a execução do grão-mestre templário Tiago de Molay na fogueira. A morte de Molay, junto com o preceptor templário na Normandia, Geoffroi de Charney, foi o último ato da dissolução da Ordem, que começara em 1307, com a prisão de vários membros sob acusação de heresia, idolatria, ritos profanos de iniciação (como cuspir na cruz) e práticas homossexuais. A perseguição foi movida por Filipe IV, de olho no dinheiro templário, em conjunto com o Papa Clemente V.

— Havia muita cobiça com relação aos tesouros que os templários amealharam — diz Edmar Checon de Freitas, professor adjunto do Departamento de História da UFF. — A Ordem não se inscrevia apenas no binômio guerra e monasticismo: promovia, nos interstícios das monarquias feudais, uma circulação de riqueza que ultrapassava a de muitos príncipes de então, daí o desejo de se apoderar desses tesouros.

Torturados, os dois líderes inicialmente confessaram as acusações, mas depois negaram as confissões. De nada adiantou: ambos foram condenados à morte. Em 18 de março de 1314, foram queimados na fogueira. Antes de morrer, Molay teria dito, segundo registros da época: “Deus sabe quem está errado e quem pecou. Logo uma calamidade ocorrerá àqueles que nos condenaram à morte”. Coincidência ou não, o Papa Clemente V morreu um mês depois da execução, e o rei Filipe IV, em novembro.

— Não era incomum que condenados à morte amaldiçoassem e lançassem impropérios a seus algozes, uma vez perdida toda a esperança após o veredicto final — atalha Checon de Freitas.

Mas 1314 estava só começando. O rei Filipe tinha três filhos, pela ordem Luís (o delfim), Filipe e Carlos — casados, respectivamente com as princesas Margarida, Joana e Branca, todas da Borgonha. O monarca tinha ainda outra filha, Isabela, casada com o rei inglês Eduardo II. Em 1313, Isabela visitou as cunhadas e as presenteou com porta-moedas bordados. Mais tarde, num banquete em Londres, Isabela notou que dois cavaleiros normandos, Gautier e Filipe d’Aunay, estavam com as mesmas bolsinhas e desconfiou que havia cheiro de adultério ali. Não demorou a informar o pai. Avisado, o rei Filipe mandou vigiar as noras, e descobriu que Margarida e Branca traíam os maridos com os cavaleiros. Joana seria a alcoviteira que armava os encontros amorosos na Torre de Nesle, na margem sul do Sena. O desfecho foi terrível: os cavaleiros normandos foram mortos em 19 de abril de 1314 com requintes de crueldade após sua condenação.

— O cronista mais próximo da história diz que eles foram primeiro esfolados vivos, depois castrados (no sentido de ter toda a região sexual inutilizada, além da remoção dos órgãos) e finalmente decapitados — diz o professor.

Momento político de sucessão

Margarida e Branca tiveram a cabeça raspada e foram condenadas ao aprisionamento perpétuo. Margarida morreu de forma misteriosa, supostamente por maus tratos na prisão, pouco antes do segundo casamento de seu ex-marido, Luís. Houve rumores de que ele teria mandado assassiná-la. Já Joana terminou absolvida.

— Chama muito a atenção no episódio da Torre de Nesle o momento político da revelação da história, pois ela poderia complicar a sucessão do rei Filipe, O Belo, que já chegava perto dos 50 anos — pondera Edmar. — Isabela tinha interesse em revelar a história, pois assim seu filho, o futuro Eduardo III, poderia ficar em melhor posição na linha sucessória francesa.

Anos mais tarde, a própria Isabela tomaria o poder na Inglaterra junto com seu amante Roger Mortimer, derrubando o marido Eduardo II e temporariamente governando em nome do filho, Eduardo III.

— É de se supor que o rei Filipe IV tenha tido um enorme desgosto com o caso. Seus filhos traídos eram bisnetos de São Luís, um dos reis mais conhecidos por sua piedade e religiosidade — lembra Edmar. — E Filipe provavelmente se via inscrito nessa linhagem de reis profundamente devotos.

Em 4 de novembro de 1314, Filipe IV foi caçar com um tio numa floresta da Picardia e sofreu uma queda do cavalo, tendo um choque repentino e perdendo a fala. Levado para o Castelo de Fontainebleau, onde nascera, morreu no dia 29. Os eventos da Torre de Nesle afetaram sua sucessão: seu herdeiro, Luís X, morreu dois anos depois, e o irmão Filipe assumiu o trono após suspeitas sobre a paternidade da filha mais velha de Luís e a aplicação da Lei Sálica, que vedava mulheres no trono (Luís teve um filho, João I, mas este morreu com 5 dias de idade). Filipe V, por sua vez, morreu cedo sem deixar herdeiros homens, o mesmo acontecendo a seu irmão e sucessor, Carlos IV. Assim, o poder na França passou ao primo, Filipe VI. Mas desentendimentos deste com o rei Edward III, da Inglaterra, filho de Isabela, acabaram levando ao início da Guerra dos Cem anos, em 1337.


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