EFEMÉRIDES DE 10 DE SETEMBRO – AUTOR: Jorge Eduardo Fontes
Garcia.
1871 - Fundação da Primeira Igreja Batista no Brasil em
Santa Bárbara do Oeste, Estado de São Paulo.
Os batistas são protestantes históricos.
As Igrejas Batistas são uma denominação protestante de
origem inglesa, que surgiu na Holanda no início do século XVII.
As Igrejas batistas interpretam o batismo — imergir em água
— como uma exposição bíblica e pública de sua fé.
A denominação historicamente é ligada aos dissidentes
ingleses, ou movimentos de anticonformismo do século XVI.
O Movimento Batista surgiu na colônia inglesa na Holanda,
num tempo de reforma religiosa intensa.
A maioria das Igrejas Batistas escolhem associar-se com
grupos que fornecem apoio sem controle.
A maior associação batista é a Convenção Batista do Sul dos
Estados Unidos, mas há muitas outras associações de batistas no mundo.
No Brasil, as maiores
são a Convenção Batista Brasileira e a Convenção Batista Nacional.
O termo batista vem da palavra grega (baptistés,
"batista," também descrevia João Batista), que é relacionado ao verbo
(baptízo, "batizar, lavar, mergulho, imerge"), e o baptista latino, e
está em conexão direta a "o batizado," João Batista.
A história academicamente aceita sobre a origem das Igrejas
Batistas é seu surgimento como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII.
A primeira Igreja Batista nasceu quando um grupo de
refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em
1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado,
organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas.
John Smyth discordava da política e de alguns pontos da
doutrina da Igreja Anglicana da qual ele era pastor e, examinando a Bíblia,
creu na necessidade de batizar-se com consciência e em seguida batizou os
demais fundadores da Igreja, constituindo-se assim a primeira igreja batista
organizada.
Até então, o batismo
não era por imersão, só os batistas particulares, por volta de 1642, adotaram
oficialmente essa prática tornando-se comum depois a todos os batistas.
A primeira confissão
dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a
defender o imersionismo no batismo.
Depois da morte de John Smyth e da decisão de Thomas Helwys
e seus seguidores de regressarem para a Inglaterra, a igreja organizada na
Holanda.
Thomas Helwys organizou a Igreja Batista em Spitalfields,
nos arredores de Londres, em 1612. A perseguição aos batistas e a outros
dissidentes ingleses, fez com que muitos emigrassem.
O mais famoso foi John Bunyan, que escreveu sua obra-prima O
Peregrino enquanto estava preso.
Nos Estados Unidos, a primeira Igreja Batista nasceu através
de Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em
1639, na colônia que ele fundou com o nome de Rhode Island, e John Clark que
organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rhode Island em 1648.
Em terras americanas os batistas cresceram principalmente no
sul, onde hoje sua principal denominação, a Convenção Batista do Sul, conta com
quase 15 milhões de membros, sendo a maior igreja protestante dos Estados
Unidos.
Em 1791, um jovem pastor inglês chamado William Carey criou
a Sociedade de Missões no Estrangeiro, para dar suporte no envio de
missionários, sendo a Índia o primeiro campo missionário.
As Igrejas Congregacionais americanas enviaram Adoniram e
Ana Judson em 1812, para evangelizar a Índia, com destino a Calcutá.
O casal encontrou-se com o missionário batista William Carey
e seu grupo de pastores, e aceitou a doutrina de imersão dos batistas e foram
batizados pelo Pastor William Ward.
Outro missionário congregacional, também enviado a Índia,
Luther Rice tornou-se batista.
Os Judsons permaneceram na Birmânia, atual Myanmar, e Luther
Rice voltou aos Estados Unidos para mobilizar os batistas para a obra
missionária.
Consequentemente em maio de 1814, foi fundada uma Convenção
em Filadélfia com o nome de "Convenção Geral da Denominação Batista nos
Estados Unidos para Missões no Estrangeiro".
Desde então
missionários batistas foram enviados à América Latina, África, Ásia e Europa.
Por força da Guerra Civil Americana de 1865, confederados do
Sul dos Estados Unidos, começam a buscar outras terras de potencial agrônomo.
O Brasil foi um dos países escolhidos.
Logo, em 1867, grupos de estadunidenses que somaram mais de 50.000
pessoas desembarcam nos portos brasileiros em busca de refúgio e terra fértil,
vasta e barata. Avançando para o continente, escolhem a cidade de Santa Bárbara
d'Oeste, para adquirirem terras e fixarem residência.
Entre os emigrados, a maioria professava o protestantismo e
entre esses, muitos eram batistas. Já em 1870 fizeram publicar um
"Manifesto para Evangelização do Brasil."
Tal manifesto, assim que publicado contou com assinaturas de
Presbiterianos, Metodistas, Congregacionais e, por um batista, o jovem Pastor
Richard Raticliff, um dos emigrados, cuja família havia convertido através de
Thomas Jefferson Bowne nos Estados Unidos.
Em 1871, Batistas
emigrados dos Estados Unidos organizam a Primeira Igreja Batista do Brasil em
Santa Bárbara d'Oeste.
Anos mais tarde, em
1879, outro grupo de emigrados faz surgir a segunda Igreja Batista em solo
brasileiro em Santa Bárbara d'Oeste no bairro da Estação, onde atualmente se
localiza a cidade de Americana.
Os Batistas de então, em Santa Bárbara d'Oeste, se unem para
solicitar a Junta de Richmond, dos Estados Unidos, o envio de missionários ao
Brasil.
O trabalho de evangelização é intenso e brasileiros
tornaram-se menos preconceituosos quanto à nova doutrina. Em 1881 chegam,
William Buck Bagby e Ana Luther Bagby; Zacarias Taylor e Katarin Taylor.
Os primeiros missionários são recebidos em Santa Bárbara
d'Oeste e logo filiam-se à Igreja Batista existente e começam a estudar a
língua portuguesa, tendo Antonio Teixeira de Albuquerque como professor.
Pouco tardou para que os dois casais de missionários,
unindo-se a Antonio Teixeira de Albuquerque rumassem para o Estado da Bahia,
onde em 1882, com cartas de transferência das igrejas em Santa Bárbara d'Oeste,
organizaram a Primeira Igreja Batista de Salvador.
Em um ano aquela igreja já contava 70 membros. Salvador
também possuía uma comunidade de estadunidenses que fugiram da Guerra de
Secessão.
Enquanto isto, no Recife o missionário batista William Buck
Bagby participa da conversão do sacerdote católico, Antonio Teixeira de
Albuquerque.
Por causa de perseguição, Teixeira de Albuquerque tentou
refugiar-se em Maceió, sua terra natal, mas acabou mais tarde escolhendo
Capivari, no Estado de São Paulo.
Vindo a conhecer os batistas em Santa Bárbara d'Oeste,
batiza-se, é ordenado pastor e ajuda a comandar a evangelização que se iniciava
entre brasileiros, franceses, ingleses e estadunidenses.
O Pastor Antonio Teixeira de Albuquerque, casado, rumou a
Maceió, onde organiza a Primeira Igreja Batista e prega para seus pais.
A vida de Teixeira de
Albuquerque foi curta, vindo a falecer aos 46 anos de idade. O Brasil não
resistiu às pressões sociais e políticas, internas e externas, vendo capitular
o Império, sendo proclamada a República, em 1889.
Nela a liberdade religiosa estava consagrada na
Constituição, ainda que, por enquanto, apenas no papel.
De Salvador, os missionários seguiram para outras capitais,
plantando igrejas.
De volta a São Paulo, com outros missionários recém-chegados
foram organizando outras novas igrejas a partir de 1899 em São Paulo, Jundiaí,
Santos, Campinas, São José dos Campos. Já em 1904 eram 7 Igrejas Batistas no
Estado de São Paulo.
Essas, reunindo-se em Jundiaí, organizaram em 1904 a
Convenção Batista do Estado de São Paulo, então chamada de União Baptista
Paulistana.
Em 1914, eclode a Primeira Guerra Mundial, que faria ferver
até 1918 toda a Europa.
A Europa, destruída, vê muitos de seus habitantes saírem em
busca de novas terras.
O Brasil, e, principalmente o Estado de São Paulo, com um
grande avanço na agricultura, (café, cana de açúcar e cereais) torna-se alvo de
muitos desses europeus.
Fugindo da guerra, aportam no Brasil muitos protestantes,
somaram-se a eles as dezenas de casais de missionários dos Estados Unidos que
continuavam chegando.
DOUTRINA: Embora não haja uma unidade organizacional ou
doutrinária entre os batistas, alguns pontos de crença são comuns aos batistas:
Crença no Batismo por imersão - assim como os anabaptistas
eles creem que o batismo seja uma ordenança para as pessoas adultas que deve
ser respeitada a menos que o indivíduo não tenha oportunidade de ser batizado.
A diferença em relação aos anabaptistas, é que os batistas praticam o batismo
por imersão.
Celebração das ordenanças do batismo e também da ceia memorial
(não-sacramental), repetindo o gesto de Cristo e os apóstolos ("fazei isso
em memória de mim") partilhando-se o pão e o vinho entre todos os membros
da Congregação.
Ordenança distinta de sacramento para os batistas ordenança
é diferente de sacramento: deve ser obedecida, mas é apenas ato simbólico e não
obrigatório para salvação.
Separação entre Igreja e Estado - antes mesmo do Iluminismo,
já havia a consciência da separação entre Igreja e Estado entre os batistas.
Liberdade de Consciência do Indivíduo - o crente deve
escolher por sua própria consciência a servir a Deus, e não por pressão estatal
ou de Igreja Estabelecida.
Autonomia das Igrejas locais - como os batistas originaram
do Congregacionalismo, enfatizam a autonomia total das comunidades locais, que
podem agrupar-se em convenções, associações ou uniões de Igrejas.
A exceção são os Batistas Reformados, que se originaram do
Presbiterianismo e dos Batistas Episcopais, que surgiram de missões anglicanas
no Zaire.
Em termos de organização, a maior parte das igrejas batistas
operam no sistema de governo congregacional, isto é, cada igreja batista local
possui autonomia administrativa, regida sob o regime de assembleias de caráter
democrático.
A grande maioria das igrejas batistas são associadas a
"convenções", que são, na verdade, associações de igrejas batistas
que procuram auxiliar umas às outras em diversos aspectos, como jurídico,
financeiro e formacional (criação de novas igrejas).
Essas associações não
possuem qualquer poder interventor nas igrejas, pois uma das características da
maioria dos batistas é a autonomia de cada igreja local.
A maior parte das igrejas batistas e suas associações
encontra-se filiada à Aliança Batista Mundial, fundada em 1905, reunindo mais
de 47 milhões de membros em cerca de 200 países, mas împortantes organizações
como a Southern Baptist Convention (Convenção Batista do Sul dos EUA) com 16,6
milhões de membros, se desligaram da Aliança, ou simplesmente, centenas de
convenções e associações remanescem sem filiação internacional, mas estima-se o
número de batistas no mundo, em cerca de 75 milhões de membros.
Jorge Eduardo Fontes Garcia,
protestante batista por vontade de Deus.
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