quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A que saudades do Orlando Travancas, chefe da Receita Federal.


Departamento do Imposto de Renda teve como Diretor o senhor Orlando Travancas, de 1965 até 1967, e naquela época tínhamos, como ainda temos, verdadeiro pavor aos fiscais do IR.
Muito bem.
Naquela época havia um item muito interessante que a fiscalização do Imposto de Renda levava muitíssimo em conta que era a “ demonstração publica de riqueza”.
Isso queria dizer que se o cidadão brasileiro levasse uma vida de luxo e prazeres, morando ou desfrutando de habitações luxuosas, com casas de campo ou de praia, com vários imóveis de alugueres, joias, tapetes persas, pratarias, quadros de pintores famosos, estancias ou fazendas, carrões, etc e tal, era logo chamado a dar explicações de como construiu, como possuía, tal patrimônio, e ou de como custeava essa vida de luxo e prazeres.
Em tempos do Travancas a chamada “ evolução patrimonial” era levada a sério, era para valer aos olhos do Imposto de Renda.
Um burocrata a serviço do Estado que apresentasse sinais de riquezas era logo investigado, com isso a corrupção era controlada pelo Imposto de Renda.
Exemplifico:
I-                 Sergio Cabral Filho,  ex-governador do Rio de Janeiro,  teria que explicar sua evolução patrimonial, teria de explicar como ele conseguiu comprar um apartamento no Leblon, de valor aproximado de cinco milhões de reais sendo apenas ocupante de cargos públicos;
II-               Nestor Cerveró, um engenheiro químico que se tornou diretor internacional da Petrobras de 2003 até 2008, e diretor financeiro da BR Distribuidora de 2008 a 2014, seria logo chamado para explicar seu opulento “sítio que fica em um condomínio fechado no distrito de Itaipava, um distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio”, local de sua prisão domiciliar;
III-           Outro chamado seria o senhor Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, para explicar como comprou sua magnifica e rica residência, “ uma mansão em área nobre, no Bairro Dunas, cercada por mansões, litoral da Cidade de Fortaleza, Ceará”, convertida em local de sua prisão domiciliar.
CONTUDO, vemos que essas pessoas envolvidas nos Escândalos de Corrupção na Republica continuam a desfrutar de seus bens sem serem publicamente incomodadas pelos fiscais da Receita Federal, enquanto um pobrezinho de um cidadão, como eu, tem sua vida vasculhada de cabo a rabo, passa a viver um verdadeiro Inferno Astral, se deixar de pagar (por causa da crise, pois, ou ele paga o fisco ou deixa de comer) uma prestação do Carnê-Leão.
A que saudades do Orlando Travancas.

Jorge Eduardo Garcia


17/11/16