segunda-feira, 9 de maio de 2016

Yves Saint Laurent , o filme, e La Décadence à bords doré.

                        YSL                            Jacques Bergé   
                                           

Tinha eu lá meus 10 anos quando, pela primeira vez, ouvi minha mãe e minhas tias conversarem sobre Yves Saint Laurent.
Naquela época as senhoras falavam de Chanel, dos costureiros de Paris, e no Rio, então DF, copiavam suas criações através das mãos de notáveis costureiras, como a jovem Maria Helena, irmã do cantor Sílvio César, que morava no final da Rua Siqueira Campos, lá perto do Túnel Velho.
Não existem mais grandes damas como elas – as senhoras da minha infância e juventude- aliás, nem sei se ainda tem grandes costureiros em Paris, o que sei é que após 1968 o Mundo virou de ponta cabeça, e que a década mais terrível da Civilização Judaico-cristã foi a de setenta do século XX.
Porque eu estou falando isso?
Porque ontem assisti ao filme Yves Saint Laurent de Jalil Lespert, lançado em 2014.
E mais uma vez fui tocado por uma triste realidade:
O Mundo belo, elegante, culto, educado, CIVILIZADO, terminou na Noite das Barricadas de 10 de maio de 1968, em Paris, pois, ali ruiu a parte BOA da Civilização Judaico-cristã, ficando de pé só a sua parte PODRE.
O filme retrata bem o incentivo ao alcoolismo, a introdução descarada das drogas, a deterioração das boates, as partouzes nas saunas gays, as mocinhas que em casa não faziam nada, e nos carros faziam de tudo, a“ avacalhação” da vida elegante, o Ciclo que muitos chamaram de " La Décadence à bords doré “, “ The gilt-edged decadence”, ou A Decadência com bordas dourada.
Uma Decadência Dourada em torno de um personagem mundialmente conhecido, Yves Saint Laurent, uma figura famosa que era preza fácil para as ‘loucuras do momento’.
Sim, Yves Saint Laurent, YSL, uma figura famosa que era preza fácil para as ‘loucuras do momento’ por que “ sofria de transtorno bipolar: "ele era maníaco depressivo. Exatamente o que o nome diz, maníaco e depressivo", como afirmou, e afirma, Pierre Bergé, seu companheiro e sócio nos negócios de muitos anos, também, retratado no excelente filme.
Todavia, nós todos, inclusive eu, ou sofríamos de transtorno bipolar, ou estávamos tão envolvidos pelas teias destas loucuras, que não dávamos conta da realidade do momento.
O Mundo era uma festa, mas a conta apresentada por ela foi alta demais para a minha geração, e para as gerações que estão sucedendo, e que até hoje a pagam sem dela ter desfrutado.
Desfrutar?
Sim, desfrutar, pois quando você vive numa loucura não se dá conta dela, e a desfruta até não poder mais.
Enfim....
Agora, velho, com tempo para meditar, para refletir, vejo quão nefasta foi a década de setenta do século XX, mais terrível da Civilização Judaico-cristã.
Não digo que dela não aproveitei, mas lamento ter aproveitado com tanta afoiteza, com tanta intrepidez, com tanto arrojo, sem parcimônia, sem comedimento, sem moderação, pois hoje a conta da farmácia me castiga por tal feitos, mas que fazer?
O que tá feito, tá feito, e não adianta lutar contra os fatos consumados.
Mais, o filme é ótimo, por isso sugiro que vejam, até porque vão entender melhor o que eu escrevi.
Ficha técnica:
Título original: Yves Saint Laurent
Direção: Lespert
Script: Jacques Fieschi, Jeremie Guez, Marie-Pierre Huster e Lespert
Direção de arte e set: Aline Bonetto
Costumes: Madeline Fontaine
Fotografia: Thomas Hardmeier
Edição: Monica Coleman
Som: Miguel Rejas
Música: Ibrahim Maalouf
Produção: Wassim Beji e Yannick Bolloré
Produção empresa: WY Productions; SND Groupe M6, Herodias e Cinéfrance 1888
Empresa de Distribuição: SND
Orçamento: cerca de 12.000.000 € 6
País de origem: França
Língua original: francês
Formato: cor -
Gênero: biografia
Duração: 101 minutos 3
Datas de lançamento:
França :8 de janeiro de 2014
Bélgica :15 de janeiro de 2014

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Jorge Eduardo Garcia.
09/05/16