quarta-feira, 6 de abril de 2016

A RUPTURA DA SOCIEDADE BRASILEIRA.




Quando em 10 de maio de 1968 na cidade de Paris aconteceu a “ Noite das Barricadas” ocorreu a total ruptura na Sociedade Francesa baseada na Tradição judaico-cristã, fato esse que se espalhou como se fosse conduzido por um rastilho de pólvora pela ou para a juventude mundial, que teve enorme repercussão nas Nações espalhadas pelo mundo ocidental.
O episódio da renúncia do General Charles De Gaulle, o grande comandante francês contra o nazi-fascismo, logo depois da meia noite do dia 28 de abril de 1969, com uma frase lacônica - « Je cesse d'exercer mes fonctions de président de la République. Cette décision prend effet aujourd'hui à midi », TL.: “ Deixo de exercer as minhas funções como presidente. Esta decisão produz efeitos ao meio-dia de hoje ", marca de forma inquestionável o que acabo de afirmar do parágrafo anterior.
Saiu o Velho, mas a França nunca encontrou o Novo pelo qual sua mocidade lutou em 1968, vivendo até os dias de hoje totalmente sem um rumo que em tempos idos seus governantes sabiam lhe proporcionar, até porque – isso graças ao seu liberalismo- é uma sociedade multirracial, uma sociedade mestiça com ancestralidade europeia e africana, com culturas diferentes, com religiões diferentes, o que a torna- a sociedade -  sem um verdadeiro um objetivo comum.
No Brasil.
A eleição presidencial de 5 de outubro de 2014 marca de forma inequívoca a ruptura da Sociedade Brasileira baseada na Tradição judaico-cristã, pois através de seu resultado vemos a profunda divisão do povo brasileiro.
A candidata populista Dilma Rousseff da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, composta pelos seguintes partidos políticos PMDB/PDT/PSB/PR/PRB/PTN/PSC/PTC/PC do B, obteve no segundo turno 54.501.118 votos válidos.
O candidato dito liberal Aécio Neves da coligação encabeçada pelo PSDB, composta pelos seguintes partidos políticos SD / PMN / PEN / PTN / PTC / DEM / PT do B /PTB, obteve no segundo turno 51.041.155 votos válidos. Ou seja: uma diferença de 3.459.963 votos validos, o que não é nada no cenário político / eleitoral nacional, mas vale para demostrar claramente a RUPTURA DA SOCIEDADE BRASILEIRA.
A senhora Rousseff foi eleita pelos votos dados em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, a alguns dos senhores deputados federais dos partidos aliados em um total de 3.541.662 votos validos como veremos abaixo:
1-      Celso Russomanno, do PRB, que obteve 1.524.361 Votos;
2-     Tiririca, do PR., que obteve 1.016.796 Votos;
3-     Paulo Maluf, do PP, que obteve 250.131 votos;
4-     Baleia Rossi, do PMDB, que obteve 208.352 Votos;
5-     Marcio Alvino, que obteve do PR, 179.950 Votos;
6-     Major Olimpio Gomes, do PDT, que obteve 179.196 Votos;
7-     Orlando Silva, do PCdoB, que obteve 90.641 Votos;
8-     Capitão Augusto, do PR, que obteve 46.905 Votos
9-     Sergio Reis, do PRB, que obteve 45.330 Votos.
Sem essa votação a senhora Rousseff não estaria eleita, pois seu partido, o PT, não tem cacife eleitoral para eleger sozinho um Presidente da República, mesmo que seja o candidato o senhor Luis Inácio Lula da Silva.
Não tem.
Esse raciocínio simples demostra como realmente é frágil a situação da atual Presidente da República, mas serve para demostrar quão dividida está a Sociedade Brasileira.  
O senhor João Santana, então poderoso marqueteiro da senhora Rousseff esqueceu de avisa-la desta realidade, ou seja, que o Brasil saiu dividido das urnas, que havia acontecido uma clara e inequívoca RUPTURA da Sociedade Brasileira, concretizando-se, assim, o “ Nós e Eles” tão ao gosto do ex-presidente Lula, isso logo após ela vencer a eleição presidencial mais disputada da história brasileira.
Dona Dilma, comovida, “ pregou diálogo, pediu união aos brasileiros e disse não acreditar que o país tenha saído dividido das eleições” e, mas, num arroubo falou: “ Conclamo sem exceção a todas as brasileiras e a todos os brasileiros para nos unirmos em favor do futuro de nossa pátria de nosso país, de nosso povo".
Palavras ao vento de quem nunca viu a realidade nacional.
A senhora Rousseff, o senhor Lula, os senhores poderosos do STF Marco Aurélio Melo, Teori Zavascki, Roberto Barroso, o senador Renam Calheiros e outros componentes do Senado Federal, o deputado-presidente Eduardo Cunha e outros membros da Câmara dos Deputados, os ministros, os políticos em geral, os partidos políticos, os líderes de movimentos sociais, a sociedade em geral, todos esse e mais alguns ainda não perceberam que o Brasil está irremediavelmente dividido, que a Nação rachou, que a Sociedade Brasileira, como a francesa, está dividida e sem rumo, que o momento é grave, gravíssimo.
Ficam defendendo interesses paroquiais não dando a menor atenção para o dia a dia da Nação, para a rapidez com que a Sociedade está sendo tragada para um abismo sem fim.
Todos os acima citados são atores menores, descartáveis, para e por esse Movimento Antropofágico que estamos vivendo.
Uma Sociedade dividida gera um governo de força.
Um governo que ignora os direitos dos cidadãos aquém governa.
Mata o Estado Democrático de Direto.
Por isso já está na hora do brasileiro buscar, cada um de per si, a forma de reconstruirmos o nosso Brasil, dividido em um torpe “ Nós e Eles”, e colocarmos da maneira que for possível, pacificamente, essas soluções que farão de nos um Nova e Pujante Nação.

 E tenho dito.

Jorge Eduardo Garcia 
SP: 6 de abril de 2016.