quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Alphonsus de Guimarães do Além, No Mar Oceano - Aventuras Transcontinentais da Humanidade.


Introdução.
Alphonsus de Guimarães
No ano de 1954 minha família morava em uma pacata rua do Posto Seis, em Copacabana, na Cidade do Rio de Janeiro (então Capital Federal), quando a vizinhança foi acordada, à noite, pelos gritos de minha Tia Carmem chamando meu pai.
Os berros e a buzinação eram tão intensos que até eu acordei.
Pendurado na janela ouvi quando ela disse em alto e bom som: “- O Dr. Getúlio morreu”.
Meu pai chegara tarde a casa -- o que não era seu hábito -- e o ambiente não estava dos melhores; ouvindo o que minha tia “berrava”, tratou logo de fazê-la entrar.
Com ela vinha um bem-posto senhor que eu não conhecia, e que repetia sem cessar, como se estivesse falando para ele mesmo, “que as coisas não estavam nada bem”.
Em meio ao bafafá, fiquei sabendo que seu nome era Alphonsus de Guimarães e que era, além de amigo de minhas famílias paterna e materna, um homem com “livre trânsito nas altas esferas do Poder, tanto em Portugal, quanto no Brasil, quiçá no Mundo, além de ser um grande observador da História”.
Sua figura muito me impressionou e povoou meu imaginário infantil, até que, na adolescência, voltei a encontrá-lo.
Deu-me então um precioso conselho: que eu fizesse da leitura o meu principal interesse na vida, pois, sem ler, uma criatura não saberia nada, e consequentemente, nada seria.
Até hoje sigo esse conselho como os Papas, em Roma, celebram diariamente as Santas Missas.
Por ocasião da última vez em que o vi, ele nada havia mudado fisicamente, tendo a mesma aparência de quando entrara, em 1954, em minha casa paterna.
Quem olhasse veria um elegante homem de meia idade, muito atarefado com sua bagagem e que quase perdera seu avião para a Europa, a ponto de, após rabiscar num papel meu novo endereço, entrar pelo portão de embarque gritando: “... eu te escrevo! ” -- o que, no fundo, no fundo, a mim parecera mais um “... até nunca”.
Porém o carteiro trouxe uma carta, depois outra, depois mais outras muitas, desse meu velho amigo; e elas são tão cheias de sabedoria, de novas visões dos problemas atuais, de conhecimentos das causas, de meditações sobre vários assuntos que podem afetar nosso futuro, e de análise do passado, que resolvi compartilhá-las com a maioria de meus amigos (e por que não com pessoas que passarei a conhecer agora?), neste livro, afinal Dom Alphonsus é um grande aventureiro, um douto que conhece as Aventuras Transcontinentais da Humanidade.
Em homenagem a esse notável homem que é Alphonsus de Guimarães  resolvi chamar este livro de Além, No Mar Oceano - Aventuras Transcontinentais da Humanidade, já que me tornei um observador da Historia por sua influência,  posição essa que “povoou o meu imaginário” e , sobretudo, porque ele me deu o maior conselho que um ser humano pode dar a outro, ou seja, ler, ler sempre, cada dia mais, até o final de seus dias, pois somente assim estaremos continuamente aprendendo alguma coisa  antes não sabida.

Jorge Eduardo Garcia
Pensador Livre


São Paulo.